Pipoca: a incrível história de 4.700 anos do aperitivo mais famoso do mundo
Aperitivo sai do campo para o paladar de milhões de consumidores por todo o planeta
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Segundo estimativas do setor, Estados Unidos, Brasil e Argentina são os três maiores produtores do mundo.
“Pipocas” no Brasil, “popcorn” nos Estados Unidos, “Pochoclo” na Argentina, “palomitas” no México, “cabritas” no Chile e a lista continua.
São muitos nomes que, no entanto, falam de um mesmo produto: o milho pisingallo, ou milho-pipoca, que depois de passar pelo processo de cozimento sob pressão, gera o ingrediente do popular aperitivo.
As famosas pipocas são companheiras fiéis na hora de assistir a um filme, seja no cinema ou em casa mesmo. Mas são tão ecléticas que também acompanham os passeios em família ao parque e já há algum tempo é oferecido como lanche na mesa dos bares.
As versões adaptadas aos tempos atuais, inclusive, são facilmente encontradas em supermercados em embalagens prontas para colocar no microondas e consumir.
Existem os fundamentalistas da pipoca doce caramelizada e também os que a preferem salgada.

Podemos encontrar pipocas de diversas formas e em diferentes contextos, mas você já se perguntou como surgiu essa maravilha?
Você sabe qual foi o ponto de origem, o “eureka”, que nos levou o mundo a consumir pipoca?
Se você nunca se perguntou e gostaria de saber, um artigo elaborado pela pesquisadora argentina Antonella Fiore, da Aapresid, analisa detalhadamente a história e as características mais importantes da parceria de cinema mais famosa do planeta.
A história da pipoca: a pipoca pré-colombiana
Evidências arqueológicas mostram que o consumo de pipoca pode ser muito antigo. Os pesquisadores afirmam que nas culturas pré-colombianas da América do Sul também se consumia milho de pipoca.
Segundo evidências fósseis encontradas tanto no México quanto no Peru, esse alimento já era preparado no ano 4.700 a.C. No caso do México, uma das culturas que produziam pipoca era a asteca, e eles chamavam os grãos de milho estourado de “momochtli”.
Como foi preparado? Colocavam o milho em potes de barro bem quentes ou colocavam os grãos sobre cinzas ardentes.

Quando os espanhóis invadiram a América em 1519, viram pipoca pela primeira vez. Os astecas usavam pipoca em rituais como enfeite em cocares cerimoniais, colares e outras decorações nas estátuas de seus deuses.
No Peru há vestígios de que os antigos habitantes do litoral comiam “pisancalla”, outro nome para pipoca, antes da chegada dos espanhóis. Restos deste lanchinho foram encontrados em tumbas com mais de mil anos e também foram encontradas panelas para cozinhá-los que datam de 300 DC.
Desta forma, a pipoca tradicional constitui um legado da gastronomia pré-hispânica que perdura até hoje.
A ascensão da pipoca
O pai da pipoca industrial foi Charles Cretors, um americano nascido em Illinois. Foi ele quem inventou a moderna máquina de carrinho de pipoca para produzi-la.
Em 1893 obteve a patente de sua invenção e, nesse mesmo ano, levou-a à Feira Mundial de Chicago.

O costume de comer pipoca nas salas de cinema virou moda nos Estados Unidos entre 1929 e 1933, no início da Grande Depressão. Naquela época, as famílias americanas buscavam refúgio e distração nas salas de cinema.
O cinema deixou de ser acessível apenas à classe alta norte-americana e, aos poucos, abriu suas portas para a classe média trabalhadora. Embora não fosse costume comer durante as apresentações, com a mudança do público surgiu a necessidade de poder consumir algo durante a apresentação.
Foi neste contexto que, em 1931, Julia Braden, uma mulher de Kansas City, obteve autorização para colocar um stand com uma máquina de pipocas no hall de um dos cinemas mais populares da época nos Estados Unidos, o “Linwood Teatro".
O sucesso foi total e logo a ideia foi replicada em outras partes do país.
Milho Pisingallo: perfil e características agronômicas
A planta do milho pisingallo é menor que a do milho tradicional. As culturas requerem maior atenção no seu manejo e controle exaustivo de ervas daninhas e insetos. O grão é redondo e seu tamanho é quase metade do tamanho de um grão de milho comum. Sua cor está entre o amarelo e o laranja.
Os grãos desta variedade contêm umidade interna, que quando se deseja obter pipoca, o grão deve ser submetido a um processo de aquecimento de até 175 °C, que converte a umidade de dentro do grão em vapor, gerando uma pressão interna que produz uma pequena explosão. O produto resultante dessa explosão é a famosa pipoca.
Segundo estimativas do setor, o Brasil produz cerca de 300 mil toneladas de milho-pipoca por ano, enquanto nos EUA, pelos dados do Departamento de Agricultura do país (USDA), são colhidas mais de 375 mil toneladas por ano. A Argentina, por sua vez, é a terceira maior produtora.

Informação nutricional da pipoca
Embora seu consumo seja considerado por muitos como um doce, a pipoca é um alimento rico em fibras e com poucas calorias.
Anteriormente, uma porção de 100 gramas de pipoca fornecia cerca de 500 calorias. Atualmente, esse valor foi reduzido para 350 calorias e seu teor total de gordura adicionada está entre 19% e 27%, embora algumas empresas tenham conseguido eliminar completamente o teor de gordura.
Dia Mundial da Pipoca
Pipoca é um lanche irresistível e versátil que conquistou o paladar de milhões de pessoas ao redor do mundo. Ganhou até tanta popularidade que até chegou ao seu dia.
Sim, você leu corretamente, 19 de janeiro marca o Dia Mundial deste aperitivo milenar.
Desde a sua origem nas culturas pré-colombianas da América do Sul até ao presente, a pipoca resistiu ao teste do tempo e continua a ser uma parte importante da cultura alimentar global.
Quer você coma no cinema, em casa ou no parque, a pipoca será sempre uma boa opção para quando você quiser comer algo crocante, saboroso e nutritivo.
Da próxima vez que você saborear um punhado de pipoca, lembre-se que por trás de cada mordida há uma história que tem origem no campo, onde o milho cresce com muito cuidado antes de se tornar aquele lanche irresistível que todos amamos.
Porque o campo está na sua vida em vários aspectos, até nos acompanha ao cinema. Já imaginou isso?