Cidade mineira vai transformar lodo de esgoto em fertilizante e energia
Rejeito obtido na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) virará produtos para agricultura e combustível
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Ideia é que o biocarvão, misturado com de pó de basalto forneça um adubo organomineral ainda mais potente. (Valter de Paula/PMU)
A cidade de Uberlândia deu o primeiro passo para transformar lodo de esgoto em fertilizante e energia. A cidade inaugurou o Centro de Inovação em Sustentabilidade (CIS) na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Uberabinha ontem (dia 25).
A ação representa o primeiro avanço concreto em direção à criação da primeira planta industrial do Brasil destinada à produção em larga escala de energia e fertilizantes a partir do lodo resultante do tratamento de todo o esgoto gerado pela cidade.
Uma das primeiras ações do CIS foi a realização de um estudo em pirólise, que é um processo de degradação termoquímica na ausência de oxigênio.
Trata-se de um projeto piloto inovador que converte rejeitos do tratamento de esgoto sanitário em produtos úteis para a agricultura e combustíveis renováveis.
No caso da agricultura, a ideia é que o biocarvão, misturado com de pó de basalto, rico no solo de Uberlândia, forneça um adubo organomineral ainda mais potente.
No caso dos biocombustíveis, o óleo de pirólise resultante deste processo pode ser utilizado para a aviação, no abastecimento de aeronaves.
Estrutura
O CIS conta com um laboratório, onde está instalado o protótipo desenvolvido para a realização de pirólise em pequena escala.
Esse equipamento consiste em um conjunto de reatores, que estão acoplados a um compressor, torre de refrigeração e painel de controle.
O local conta também com sala de treinamento para demonstrações e visitações de estudantes, professores ou profissionais ligados ao setor de pesquisa, inovação e sustentabilidade.
Tratamento de esgoto e gestão de resíduos
De acordo com os técnicos do departamento de saneamento básico da cidade, o tratamento de esgoto apresenta uma solução para a remoção da carga poluidora, porém, outra situação é gerada: o lodo resultante. Destinado corretamente ao aterro sanitário, esse lodo impacta na vida útil do local.
Por meio do processo de pirólise, a gestão municipal permite que a autarquia avance na inovação e sustentabilidade realizando também o estudo para o processamento do lodo.
Atualmente, 1,8 mil toneladas de lodo de esgoto são geradas mensalmente no município, e o estudo demonstra que uma planta em escala industrial terá capacidade de processar, por meio da pirólise, 100% deste material.
Esse avanço não apenas promove a sustentabilidade ambiental, mas também estimula a economia local, além de vislumbrar significativa redução dos gastos públicos, explica a prefeitura local.
Conforme os cálculos do departamento, a destinação correta do lodo ao invés de enviá-lo para o aterro sanitário representa uma economia anual estimada em mais de R$ 3,4 milhões de reais.