Carnaval 2024: agro volta ao samba com exaltação à fruta típica do Brasil

    Mocidade Independente de Padre Miguel vai levar o caju para Sapucaí

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    Região Nordeste responde por mais de 95% da produção nacional. (Foto - Wenderson Araujo/CNA)

    Região Nordeste responde por mais de 95% da produção nacional. (Foto - Wenderson Araujo/CNA)

    30deJaneirode2024ás12:09

    O agro brasileiro estará novamente presente na Marques de Sapucaí no Carnaval do Rio de Janeiro. Isto porque, em 2024, as histórias, lendas e curiosidades sobre a fruta do cajueiro serão as atrações do desfile das escolas de samba cariocas.

    Com o enredo "Pede caju que dou... Pé de caju que dá!" a Mocidade Independente de Padre Miguel vai falar na Sapucaí do caju, fruta tipicamente brasileira.

    A Mocidade será a primeira do Grupo Especial a entrar na avenida na segunda-feira de carnaval no dia 12 de fevereiro com o enredo assinado pelo carnavalesco Marcus Ferreira e pelo jornalista e escritor Fábio Fabato, autor da sinopse.

    O intuito da escola é desvendar a brasilidade por trás desse fruto que foi um dos primeiros tesouros levados por colonizadores quando eles chegaram ao Brasil.

    Marcus Ferreira revelou que está confiante na leveza do tema para envolver o público.

    A escolha do tema é uma forma da escola de retomar sua identidade tropicalista, tão presente nos seus desfiles dos anos 1980 e 1990

    Por que o caju?

    A leveza do enredo está presente até no aparecimento da ideia de usar o caju como enredo.

    “Eu tinha até outras ideias, mas foi um enredo que surgiu com um sentimento. Eu estava na praia lendo uns artigos e passou um vendedor de castanhas. Fiquei olhando e falei castanha de caju. Na hora entrei na internet para ver o que essa fruta representa para a gente e me encantei com a história e falei caramba é a cara da Mocidade” revelou o carnavalesco à Agência Brasil para completar.

    “No dia seguinte trouxe para a escola e prontamente começaram a entender que seria um caminho que a gente seguiria para o carnaval.”

    Segundo Fabato, a ideia é sentir o sabor do Brasil ao morder a carne de caju na avenida.

    Música viralizou e é uma das mais tocadas

    Segundo o Spotify, a música que mais viralizou no começo do ano no Rio de Janeiro é o samba-enredo da Mocidade Independente sobre o caju.

    Antes mesmo do Carnaval, a música chegou ao Top 1 do Spotify Viral Rio.

    O samba “Pede caju que dou… Pé de caju que dá” foi lançado em junho de 2022 é assinado pelo humorista Marcelo Adnet com Diego Nicolau, Paulinho Mocidade, Richard e Cabeça do Ajax.

    A letra remete ao modernismo brasileiro, com o movimento antropofágico e citações a Tarsila do Amaral, para cantar sobre o fruto caju.

    A faixa remonta aos carnavais dos anos 1990, com letras mais leves.

    Patrimônio

    Desde 2022, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel é Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.

    A Lei 9.647/22 foi a responsável pelo título e exalta a relevância da Mocidade para o samba e a cultura fluminense. Fundada em 1955, a tradicional agremiação é detentora de seis conquistas do Carnaval do Rio de Janeiro.

    História do Caju

    Segundo o livro “Brasil em 50 Alimentos”, da Embrapa, o cajueiro, planta nativa do Brasil, despertou o interesse dos colonizadores portugueses, que trataram de disseminá--lo na Índia e em alguns países africanos nos idos do século XVI.

    No entanto, foi a demanda pelo líquido da casca da castanha-de-caju (LCC), devido ao seu conteúdo estratégico na mobilização dos Estados Unidos durante a II Guerra Mundial, que acendeu a centelha subsequente da demanda pela amêndoa da castanha-de-caju.

    A Região Nordeste, com uma área plantada superior a 650 mil hectares, responde por mais de 95% da produção nacional, sendo os Estados do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Bahia os principais produtores.

    A importância social do caju no Brasil traduz-se pelo número de empregos diretos que gera, sendo 35 mil no campo e 15 mil na indústria, além de 250 mil empregos indiretos nos dois segmentos.

    Para o Semiárido nordestino a importância é ainda maior, porque os empregos do campo são gerados na entressafra das culturas tradicionais como milho, feijão e algodão, reduzindo, assim, o êxodo rural.

    Amêndoa

    A amêndoa de castanha-de-caju é um alimento saudável e de sabor suave e levemente adocicado, composto por minerais e nutrientes biologicamente ativos. Possui todos os aminoácidos essenciais, selênio, amido e gorduras insaturadas e um perfil polissacarídeo de grande importância do ponto de vista nutricional.

    Apresenta grande versatilidade de uso, pois é consumida in natura, tostada ou caramelizada e entra na composição de receitas e pratos diversos, na linha de alimentos plant-based ou mesmo como produtos processados pela indústria alimentar.

    O cajueiro oferece outros produtos e constituintes que têm utilização tanto na indústria alimentar quanto na indústria química e de geração de energia, como a casca da castanha, que contém em seus alvéolos um líquido viscoso e cáustico: o LCC. 

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