Federação detecta falta de oxigênio e aponta cavalos com língua azul nas Olimpíadas
Brasil encerrou sua trajetória hoje no hipismo sem conquistar nenhuma medalha
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Medalha de Stephan Barcha e égua Primavera escapa nas últimas apresentações na final individual do hipismo saltos. (Foto: Wander Roberto/COB)
Uma nova polêmica envolveu os cavalos que participam das Olimpíadas de Paris, que acontece na capital francesa. Hoje, o órgão regulador do hipismo (FEI), responsável pela equitação olímpica que acontece nos Jardins do Chateau, do Palácio de Versalhes, diz ter encontrado fotos de cavalos com a língua azulada causada pela falta de oxigênio durante a competição de adestramento.
A informação foi dada pelo veterinário-chefe da organização, Goran Akerstrom, à Reuters nesta terça-feira.
A FEI analisou fotos de eventos de adestramento das Olimpíadas tiradas por um de seus fotógrafos. Segundo ele, algumas das fotos tiradas no Grand Prix de adestramento na última terça-feira mostravam cenas de danos aos animais.
"A preocupação nessas fotos eram as línguas azuis, provavelmente causadas pela alta tensão das rédeas", afirmou Akerstrom.
Segundo ele, os freios duplos, obrigatórios em torneios de adestramento de alto nível, também desempenharam um papel no corte de oxigênio da língua, causando "dor ou desconforto desnecessário".
Grupos de defesa dos direitos dos animais, como PETA, criticaram os cavaleiros de adestramento por usarem freios duplos.
Por enquanto, a FEI não tomou nenhuma medida disciplinar e as descobertas não afetarão os resultados do adestramento. Os veterinários da entidade notificaram o júri da competição, que então convocou os cavaleiros envolvidos para uma "discussão" sobre a questão, disse Akerstrom.
Pela primeira vez, a revisão fotográfica incluiu uma camada de verificações especiais ligadas ao bem-estar dos cavalos.

Mais casos
Questões relacionadas ao bem-estar dos cavalos estão sendo analisadas de perto nas Olimpíadas, no momento em que o esporte enfrenta os desdobramentos de um incidente envolvendo a cavaleira britânica Charlotte Dujardin que provocou debates éticos e temores sobre seu futuro olímpico.
Dona de duas medalhas de ouro em Londres (2012), uma no Rio de Janeiro (2016), além de mais uma prata nos Jogos do Brasil e dois bronzes em Tóquio (2020), a britânica Charlotte Dujardin desistiu de ir das Olimpíadas de Paris 2024.
Ela desistiu dos Jogos após um vídeo seu ter vazado enquanto maltratava um cavalo durante treinamento. A adestradora foi suspensa pela Federação Equestre Internacional (FEI) por seis meses.
O vídeo foi gravado há quatro anos e veio à tona agora. Veículos britânicos foram os primeiros a exibir as imagens que mostram Charlotte Dujardin batendo inúmeras vezes no cavalo de um estudante com um chicote.
Brasil eliminado
Na semana passada, a seleção brasileira de saltos no hipismo foi desclassificada da disputa após ser identificada uma ferida no cavalo do atleta Pedro Veniss. A eliminação aconteceu após a vistoria veterinária encontrar sangue causado pelas esporas. O animal batizado de Nimrod de Muze havia zerado (sem cometer nenhuma falta) a sua volta, a primeira do Brasil nas eliminatórias dos saltos.
É a segunda vez na história dos Jogos Olímpicos que o Brasil é eliminado pelo mesmo motivo. Na Olimpíada do Rio em 2016, o cavaleiro Stephan Barcha “cortou” seu cavalo e desclassificou a equipe brasileira.
País termina sem medalhas na modalidade
A final do concurso de saltos individuais fechou as disputadas do hipismo na Olimpíada de Paris. O Brasil chegou muito perto de uma medalha na disputa da final individual do hipismo saltos dos Jogos Olímpicos Paris 2024.
Stephan Barcha, montando a égua Primavera, manteve a terceira colocação durante quase toda a prova disputada nos Jardins do Palácio de Versalhes nesta terça-feira (6), mas acabou superado e finalizou na quinta colocação, com uma falta e o tempo de 80s07.
Rodrigo Pessoa, lendário ginete brasileiro, ouro olímpico em Atenas 2004, decidiu poupar o jovem cavalo Major Tom após cometer duas faltas e não completou o percurso.

O grau de dificuldade da pista montada em Versalhes elevou o nível da final olímpica a patamares pouco vistos. Apenas os três conjuntos medalhistas conseguiram passar o percurso sem faltas na final. Barcha e Primavera fizeram apenas uma falta em uma volta com boa velocidade. Como o critério de desempate é o tempo, o brasileiro só foi superado nas últimas apresentações.
Barcha conquistava o bronze até a volta de Steve Guerdat, da Suíça, que terminou o percurso sem penalidades, tirou o brasileiro da briga por medalha e ficou com a prata montado em Dynamix De Belhem. A medalha de ouro foi conquistada pelo alemão Christian Kukuk montando Checker 47. O bronze foi para a Holanda com Maikel Van der Vleuten e Beauville Z.
“Me senti muito perto de alcançar um sonho da vida, que é ganhar uma medalha olímpica. Saio muito orgulhoso de todo o processo. É duro chegar tão perto, mas quando eu me deitar vou me sentir muito orgulhoso com a colocação que alcançamos nos Jogos Olímpicos. Foi brigado demais, foi grandioso. Estar aqui não é para tanta gente”, disse Barcha, medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos Santiago 2023.
Rodrigo Pessoa é um gigante na centenária história brasileira no Movimento Olímpico. Medalhista de ouro em Atenas 2004 e filho de Nelson Pessoa, outra lenda do hipismo mundial, Rodrigo chegou a Paris para a oitava edição de Jogos Olímpicos, um recorde nacional. Experiente, o ginete de 51 anos entendeu ser melhor poupar o jovem Major Tom após dois toques no início do percurso da final.
“Eu queria começar em um ritmo bom para ganhar confiança no início da pista, mas acabamos fazendo uma falta não costumeira para o meu cavalo. Ele ficou muito arisco, porque é um cavalo muito cuidadoso. Depois ele se esforçou muito no duplo. Então não tinha a menor necessidade de continuar com oito pontos. Melhor poupar o cavalo”, disse o brasileiro.
Além do ouro em Atenas 2004, Rodrigo é dono de dois bronzes por equipes em Atlanta 1996 e Sydney 2000. O ginete compete com Major Tom há quatro anos