Qual era a responsabilidade de Leonardo na fazenda onde trabalhadores foram resgatados?
Seis trabalhadores, incluindo um adolescente de 17 anos, foram encontrados em condições análogas à escravidão
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O cantor Leonardo foi incluído na "lista suja" do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) após a resgaste de seis trabalhadores, incluindo um adolescente de 17 anos, em condições análogas à escravidão em duas fazendas de sua propriedade em Jussara, Goiás.
Em um vídeo publicado em seu Instagram, Leonardo, nome civil Emival Eterno da Costa, defendeu que a área onde os trabalhadores foram encontrados estava arrendada a terceiros, alegando não ter responsabilidade direta pelos funcionários resgatados.
No entanto, conforme reportagem do G1, o MTE considera Leonardo responsável pelos trabalhadores resgatados em sua fazenda.
De acordo com o relatório, o cantor tinha a obrigação contratual de entregar a área arrendada em condições adequadas para o plantio, garantindo que o solo estivesse limpo e preparado.
Embora o arrendatário fosse responsável pelo cultivo e manejo das atividades agrícolas, a preparação do solo, que incluía a catação de raízes e o plantio de grama — tarefas realizadas pelos trabalhadores resgatados — era responsabilidade do cantor, tanto em termos de execução quanto de pagamento.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) confirmou que Leonardo já quitou as indenizações pertinentes e que o caso foi arquivado em abril deste ano.
Detalhes do Caso
Os seis trabalhadores resgatados viviam em condições precárias, dormindo em uma casa abandonada localizada a dois quilômetros da sede da fazenda.
A função dos trabalhadores era catar raízes para a limpeza do terreno, um trabalho que exigia a remoção de restos de árvores e outros materiais do solo para sua preparação para o cultivo.
Depoimentos coletados revelam que a jornada de trabalho se estendia das 7h às 17h, com uma pausa de uma hora para o almoço. Eles recebiam um pagamento fixo de R$ 150,00 por dia.
A fiscalização revelou que a casa onde os trabalhadores dormiam era de alvenaria, mas estava sem manutenção. Telhas deslocadas permitiam a entrada de água da chuva, levando a danos nos pertences dos trabalhadores.
O alojamento foi improvisado por eles, utilizando tábuas de madeira encontradas nos arredores para suportar os colchões.
Condições alarmantes
As condições sanitárias eram alarmantes, com infestação de morcegos e fezes espalhadas por todo o local. Também foram observadas formigas e a presença de cobras e escorpiões.
Em uma inspeção, foi encontrada uma cobra morta nas proximidades do alojamento, e devido à inoperância do banheiro, os trabalhadores precisavam usar árvores próximas para suas necessidades.
Avaliada em R$ 60 milhões, a fazenda possui mais de mil hectares e a pecuária bovina como principal atividade, abrigando mais de 5.000 cabeças de gado. O local também conta com uma mansão, quadras esportivas e diversas áreas de lazer.
A "lista suja" do MTE é um documento público atualizado semestralmente, com o objetivo de aumentar a transparência nas fiscalizações relacionadas ao trabalho escravo. Com a inclusão recente de Leonardo, o total de nomes na lista subiu para 727.