Casal suspeito de golpe milionário em produtores de Goiás entra na lista da Interpol
Corretor de grãos e esposa, além de demais suspeitos, movimentaram mais de R$ 19 bilhões em fraudes financeiras
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O corretor de grãos Vinicius Martini de Mello e sua esposa, Camila Rosa Melo, foram incluídos na lista de procurados da Interpol.
Eles são suspeitos de aplicar um golpe milionário contra produtores rurais em Goiás, conforme informou a Polícia Civil. A investigação aponta que o casal fugiu para os Estados Unidos, enquanto outras quatro pessoas ligadas ao esquema foram presas. Por conta da fuga, eles foram incluídos na lista da Interpol.
De acordo com o delegado Márcio Marques, as denúncias contra o grupo começaram a surgir em junho deste ano. Em apenas três anos, a polícia estima que os suspeitos tenham movimentado cerca de R$ 19 bilhões em fraudes financeiras.
Para apurar o valor exato dos danos, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, seis de prisão, além do bloqueio de contas bancárias. Também foram sequestrados 468 veículos, duas aeronaves e sete imóveis, avaliados em R$ 200 milhões.
O delegado revelou que os crimes envolviam estelionato, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. O grupo utilizava empresas fantasmas para emitir notas fiscais frias e contratava "laranjas" para evitar o recolhimento de impostos, configurando o que é conhecido como "empresas noteiras".

Modus operandi
A Polícia Civil informou que Vinicius atraía produtores rurais com propostas de compra de grãos, mas, após receber a mercadoria, não efetuava o pagamento.
Em outros casos, vendia os produtos para terceiros sem entregá-los. Segundo relatos, o casal teria adquirido mais de 3 milhões de sacas de grãos a cerca de R$ 60 cada, com pagamentos prometidos para os meses seguintes.
Até agora, 13 vítimas registraram boletins de ocorrência, somando um prejuízo estimado em R$ 40 milhões. Contudo, o número de afetados pode ser maior, já que muitos optaram por não denunciar.
Ação policial
A operação, batizada de Deméter, foi deflagrada nos dias 28 e 29 de novembro, com ações em cidades como Rio Verde, Morrinhos, Goiânia, Santo Antônio da Barra e Montividiu. Durante a ação, foram apreendidos armas, joias, caminhões bitrens avaliados em mais de R$ 1 milhão, além de documentos e veículos de luxo.

"Não satisfeitos com os ganhos ilícitos, os suspeitos ainda lesaram produtores rurais de Rio Verde, comprando grãos sem pagar e revendendo sem entregar os produtos", explicou o delegado Marques ao G1.
Os advogados das pessoas presas na operação se manifestaram em nota. Gabriela Lima e Rodrigo Castor alegaram que a prisão preventiva de seus clientes é indevida e que irão provar a licitude das transações realizadas. Já Alessandro Gil Moraes e Danilo Marques Borges, que representam outros dois investigados, disseram acreditar na inocência de seus clientes, mas preferiram não comentar o caso devido ao sigilo do processo.
O bloqueio de R$ 19 bilhões solicitado pela polícia ainda aguarda decisão da Justiça. A operação segue investigando possíveis conexões do grupo com outras fraudes e novas vítimas.