Alemanha registra caso de febre aftosa no coração da Europa após quase 40 anos
Doença de notificação obrigatória pode afetar a cadeia de produção europeia

A Alemanha registrou o primeiro caso de febre aftosa em quase 40 anos, segundo informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura alemão à Reuters hoje (dia 10).
A doença, altamente contagiosa entre animais de casco fendido (como bovinos, suínos e ovinos), foi detectada em um rebanho de búfalos no sul do país.
As autoridades locais implementaram medidas de quarentena para conter a disseminação, pois surtos anteriores, datados da década de 1980, afetaram significativamente a cadeia de produção e exportação de carnes.
Embora a febre aftosa raramente seja transmitida a seres humanos, o aparecimento da doença gera preocupações sobre possíveis impactos nos mercados pecuários e no comércio internacional de produtos de origem animal.
Apesar da exportação do país seja pequena, a eventual suspensão de regiões produtoras na Alemanha ou outros países europeus poderia gerar um vácuo na oferta no continente.
Esse quadro poderia aumentar a demanda por importação de outras regiões, como o Mercosul.
Reação do governo alemão
Uma zona de exclusão de 3 quilômetros e uma monitoramento de 10 quilômetros foram criadas, e nenhum outro produto ou animal pode ser retirado dessas zonas, disse um porta-voz do Ministério da Agricultura alemão em uma entrevista coletiva regular do governo.
As autoridades locais estão investigando como os animais foram infectados, mas não há planos para medidas em nível federal ou internacional, acrescentou o porta-voz.
A Alemanha e a União Europeia são oficialmente reconhecidas como livres da doença, mas surtos foram relatados esporadicamente.
Em 2007, mais de 2 mil animais foram sacrificados no Reino Unido em conexão com um surto, e em 2011, centenas na Bulgária.
O Brasil também foi declarado livre de febre aftosa sem vacinação, o status mais alto sobre o tema.
Os últimos casos na Alemanha ocorreram em 1988, de acordo com o instituto de pesquisa em saúde animal FLI.
O FLI disse que a doença ocorre regularmente no Oriente Médio e na África, em muitos países asiáticos e em partes da América do Sul.
Produtos animais importados ilegalmente desses países representam uma ameaça à agricultura europeia, disse o representante à Reuters.
