Passou do ponto: excesso de chuvas já prejudica lavouras em 20 cidades do Mato Grosso
Atraso nas colheitas e problemas na armazenagem afetam produtores de soja e milho
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Segundo Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), a situação é alarmante. (Foto - Aprosoja-MT)
Mato Grosso enfrenta um janeiro marcado por chuvas intensas, o que levou 20 cidades, incluindo a capital, Cuiabá, a decretarem estado de emergência.
Além dos danos urbanos, as lavouras no estado já estão sofrendo com os efeitos das precipitações, que têm comprometido a colheita e a logística da produção.
Produtores de soja e milho enfrentam sérios desafios devido às condições climáticas adversas, com o atraso nas colheitas e problemas na armazenagem.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) monitora os impactos da safra 24/25 e alerta para as dificuldades que os produtores terão que enfrentar nos próximos meses.
Diego Bertuol, produtor rural em Marcelândia e diretor da Aprosoja MT, destacou que as chuvas têm dificultado severamente as operações de colheita.
"Temos mais de 400 mm acumulados nos últimos 15 dias, o que impossibilitou a colheita dos grãos prontos e também dos dessecados. O resultado é uma perda de até 20% nos grãos, com outros chegando a 30% de umidade, o que impacta diretamente no preço e na qualidade da produção. O cenário é alarmante ", afirmou.

Atraso na colheita e problemas logísticos
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) confirma o atraso na colheita, com apenas 1,41% da área plantada sendo colhida até o momento, o que representa uma queda de 11,41% em relação ao mesmo período da safra anterior.
Esse atraso também compromete a janela ideal para o plantio do milho, gerando mais incertezas para os produtores.
Além das dificuldades com a colheita, o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, alerta para os problemas logísticos.
"Estradas não pavimentadas estão em condições críticas, o que dificulta o escoamento da produção. A maior parte das rotas usadas pelos produtores é de vias não pavimentadas, o que agrava ainda mais a situação", explicou.
Déficit de armazenagem e alta umidade
A questão da armazenagem também é uma preocupação crescente. Bertuol lembra que, além do déficit de armazéns, os já existentes não suportam a alta demanda, agravada pela alta umidade dos grãos.
"A falta de infraestrutura para armazenar e a dificuldade logística aumentam os custos e as perdas para os produtores. Com esse grande índice de pluviometria, nós vemos filas se formando, algumas cargas não sendo recebidas devido ao alto teor de umidade", ressaltou.
Segundo ele, a Aprosoja MT sempre alerta para o déficit de armazenagem, não só no estado do Mato Grosso, mas em todo Brasil. “Em diversas regiões nós vemos poucos armazéns gerais recebendo, temos um problema com o fornecimento de energia elétrica para viabilizar novos armazéns e aqueles que nós temos hoje já não conseguem suportar a demanda
Ciclo da soja e expectativas para a safra
Bertuol também criticou a expectativa de uma safra recorde.
"O ciclo da soja, que deveria ser de 110 a 115 dias, já passou de 125 dias. A demora e o aparecimento de pragas impactam diretamente na produção", disse, ressaltando que o cenário atual não justifica as previsões de superprodução.
Atrasos e riscos para a safra de milho
O produtor e delegado da Aprosoja MT em São José do Rio Claro, Cleverson Bertamoni, afirmou que o desenvolvimento da soja foi comprometido pelo clima, com um atraso de 20 a 30 dias na colheita.
"As lavouras estão bem formadas, mas ainda verdes. A preocupação é com a safra de milho, pois o atraso compromete a janela de plantio e os produtores já adquiriram os insumos", explicou Bertamoni.
Segundo ele, os produtores estão preocupados, porque já adquiriram as sementes de milho, já adquiriram o fertilizante, todos os insumos para a segunda safra.
“Agora não tem como voltar atrás, talvez vai ter que plantar fora da janela, meio arriscado, mas devido aos insumos já se encontram na propriedade, não tem como fazer a devolução. Então é bem preocupante”, disse Bertamoni, ao lembrar que por conta das previsões de super safra do milho, os produtores também venderam o cereal a um preço menor.
Na região leste de Mato Grosso, o vice-presidente da Aprosoja MT, Lauri Jantsch, apontou que as chuvas consecutivas comprometeram a qualidade da soja, com perdas de até 25% de avarias.
"A colaboração entre os produtores tem sido fundamental para minimizar as perdas", afirmou Jantsch, destacando a importância da cooperação na retirada da soja.
Previsão do tempo: mais chuva
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê que as chuvas persistam ao longo da semana na Região Centro-Oeste, com acumulados entre 30 e 60 mm, podendo atingir 100 mm em algumas áreas.
A Metsul também indica que, nos próximos dez dias, as chuvas deverão ser intensas na maior parte da região, com acumulados de 50 a 100 mm, exacerbando os desafios para a agricultura.
Governo monitora 31 municípios devido às chuvas
O Governo de Mato Grosso segue monitorando 31 municípios afetados pelas intensas chuvas que atingiram o estado desde a última semana. Desses, 20 já decretaram situação de emergência
De acordo com a Defesa Civil, os municípios de Paranatinga e Cocalinho continuam em situação de emergência devido às inundações que afetaram ruas e casas. Em Paranatinga, três famílias permanecem desabrigadas e estão abrigadas em um espaço temporário montado pela Prefeitura.
A Defesa Civil mantém um posto de comando no município, prestando apoio com alertas, orientações e levantamento dos danos causados pelas chuvas.

No domingo (19), o Governo do Estado enviou 240 cestas de alimentos, 240 kits de higiene e limpeza, 240 filtros de barro e 240 cobertores para Paranatinga. Já em Cocalinho, há registros de famílias ilhadas devido às chuvas.
A Defesa Civil está auxiliando a cidade na decretação da situação de emergência e no monitoramento dos danos.
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Paranatinga acumulou 127 milímetros de chuvas desde o dia 13 de janeiro, enquanto Cocalinho registrou 150 mm.
Nesta segunda-feira, o Governo também enviou 400 cestas de alimentos, 400 kits de higiene e limpeza, 200 filtros de água e 100 cobertores para o município de Confresa.
Cerca de 120 famílias da zona urbana foram impactadas pelas chuvas, e 280 famílias estão isoladas na zona rural, conforme levantamento local.
Na sexta-feira (17), o Governo instituiu uma Sala de Situação para coordenar os atendimentos às populações afetadas..
Municípios em Situação de Emergência
Até o momento, 20 municípios declararam situação de emergência. São eles:
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Água Boa
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Alto Paraguai
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Arenápolis
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Chapada dos Guimarães
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Cocalinho
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Confresa
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Cuiabá
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Itaúba
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Luciara
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Nova Brasilândia
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Nova Nazaré
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Novo Santo Antônio
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Novo São Joaquim
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Paranatinga
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Porto Alegre do Norte
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Rio Branco
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Rondolândia
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Salto do Céu
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Serra Nova Dourada
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Vila Rica
Entretanto, apenas os municípios de Rio Branco e Salto do Céu solicitaram a homologação estadual até o momento.
O Governo também segue monitorando os municípios de Nossa Senhora do Livramento, Nobres, Santa Terezinha, Rondonópolis, Barra do Bugres, Campo Novo do Parecis, Denise, Nova Marilândia, Nova Olímpia, São José do Rio Claro e Lucas do Rio Verde.