Emater aponta cenário crítico para safra de verão no RS: "momento difícil"
Empresa elabora laudos para 13 municípios que pretendem decretar estado de emergência
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A 12ª edição da Abertura Oficial da Colheita do Milho no Rio Grande do Sul será realizada nesta quinta-feira
A estiagem continua causando incertezas sobre a safra de verão no Rio Grande do Sul. O presidente da Emater/RS, Luciano Schwerz, destacou que os prejuízos são mais severos para a soja, embora o milho também apresente perdas significativas.
De acordo com Schwerz, as regiões das Missões, Fronteira Oeste, Região Central e parte da Campanha estão entre as mais afetadas pelo déficit hídrico.
"Vemos lavouras bastante comprometidas, principalmente as plantadas no final de outubro e início de novembro. É difícil de mensurar o impacto pois são várias realidades distintas ", afirmou em entrevista à Safras News.
Em municípios da região das Missões, por exemplo, já há relatos de perdas entre 17% e 20%, explica.
O presidente tem visitado diferentes áreas do estado para avaliar os danos e segue para Erechim nesta quarta-feira (22) para observar as condições das lavouras no norte gaúcho.
Um boletim conjuntural atualizado será divulgado pela Emater/RS no próximo dia 23, trazendo informações mais precisas sobre o impacto da estiagem.
Schwerz revelou que 13 municípios já solicitaram laudos técnicos para decretar estado de emergência, sendo que três já formalizaram a medida. "É um momento difícil", lamentou.

Chuvas podem estabilizar, mas não recuperar potencial produtivo
Segundo a Rural Clima, as chuvas seguem irregulares no sul do Brasil até sexta-feira (24), mas tendem a ganhar consistência a partir da última semana de janeiro, com melhora prevista para fevereiro.
No entanto, Schwerz alerta que, para muitas lavouras que já superaram o estágio de floração, as precipitações podem apenas preservar o potencial produtivo atual.
Dados recentes da Emater/RS indicam que 64% das lavouras de soja estão em germinação ou desenvolvimento vegetativo, 30% em floração e 6% em enchimento de grãos.
Estimativas iniciais
A expectativa inicial da Emater/RS para a safra 2024/25 previa uma produção de 21,654 milhões de toneladas de soja, com produtividade média de 3.179 quilos por hectare em uma área total de 6,811 milhões de hectares.
Para o milho, a previsão inicial indicava uma produtividade de 7.116 quilos por hectare, totalizando 5,326 milhões de toneladas em 748,511 mil hectares. Contudo, esses números já refletem o impacto das condições climáticas adversas.
Abertura oficial da colheita do milho acontece nesta quinta-feira
A 12ª edição da Abertura Oficial da Colheita do Milho no Rio Grande do Sul será realizada nesta quinta-feira (23), na Granja Busnello, em Paulo Bento. O evento, que inicia às 7h30, conta com a cerimônia oficial marcada para as 10h30.
O milho é cultivado em 487 dos 497 municípios gaúchos, com um calendário de semeadura que vai de agosto a janeiro, destacando sua relevância para o estado.
"O milho é essencial tanto para a alimentação humana quanto para a animal", explica Valdomiro Haas, analista agropecuário e florestal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
Ele também atua como assessor da Câmara Setorial do Milho. Segundo Haas, o cereal é amplamente utilizado na produção de ração para aves, suínos e outros animais, compondo cerca de 70% da mistura. No setor leiteiro, a planta é aproveitada principalmente como silagem.
Além de sua importância alimentar, o milho é uma alternativa técnica eficaz para a rotação de culturas, especialmente com a soja. "A cultura deixa grandes volumes de palhada, proporcionando maior proteção ao solo no período pós-colheita", destaca Haas.
Outro ponto positivo é a alta resposta do milho à irrigação. Conforme Haas, a produtividade pode ser 60% a 80% maior em lavouras irrigadas em comparação às não irrigadas, tornando a cultura uma escolha estratégica para o estado.