Governo bate cabeça em busca de alternativas para baixar preço dos alimentos

    Calcanhar de Aquiles da atual gestão prejudica popularidade de Lula

    Governo bate cabeça em busca de alternativas para baixar preço dos alimentos
    24deJaneirode2025ás10:14

    A inflação dos alimentos segue como um dos principais desafios para o governo federal, afetando diretamente o poder de compra das famílias brasileiras e a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Em 2024, o grupo de Alimentação e Bebidas registrou uma inflação acumulada de 7,69%, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    O tópico contribuiu com um terço do total e foi sete vezes maior na comparação com 2023, que teve apenas 1,03%.

    O “calcanhar de Aquiles” ficou evidente em pesquisas de avaliação popular sobre o Governo Federal. A taxa de desaprovação de Lula alcançou 48% em dezembro, superando pela primeira vez o índice de aprovação, que ficou em 45%, segundo pesquisa do PoderData.

    Por isso, diante da escalada de preços, o Palácio do Planalto colocou o tema como prioridade, mas as ações adotadas até o momento têm gerado mais polêmicas do que soluções concretas.

    Uma das medidas mais controversas foi o anúncio de uma “intervenção” no setor, que deixou agentes do mercado apreensivos e fez o Governo recuar uma vez mais.

    Embora o governo não tenha detalhado como essa intervenção funcionaria, a incerteza gerada foi suficiente para aumentar a tensão entre produtores e distribuidores de alimentos.

    Representantes do agronegócio criticaram a falta de clareza, enquanto economistas alertaram para os riscos de desorganização na cadeia produtiva.

    Outra proposta polêmica envolveu a sugestão de aumentar o prazo de validade de produtos alimentícios como uma forma de conter os preços.

    A ideia foi recebida com desconfiança tanto por especialistas em saúde quanto pelo próprio mercado consumidor, que temia impactos na qualidade e segurança dos alimentos.

    Nas últimas horas, novas estratégias foram discutidas, variando de ações mais pragmáticas a propostas até mesmo exóticas, como subsidiar a compra de alimentos.

    Novas ideias do governo

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por exemplo, reza para que as previsões de safra recorde e queda do dólar se confirmem para baratear os alimentos.

    "Primeiro nós vamos ter uma grande safra. Em segundo lugar o dólar começou, na minha opinião, uma trajetória que, eventualmente, pode ser interrompida, momentaneamente, pela boataria", ponderou o ministro.

    Haddad confirmou ainda que o governo estuda mudar regras do vale-alimentação e vale-refeição –benefícios pagos a trabalhadores. 

    O objetivo, segundo ele, seria aumentar a concorrência no setor, o que teria impacto no preço de alimentos.

    O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, disse ao Agro Estadão que o governo vai estimular o aumento da produção e a comercialização de carnes e tentar controlar o câmbio para baratear o preço dos alimentos no Brasil. 

    “Os alimentos que aumentaram o preço são commodities vinculadas à importação. Aumentou o preço da carne, do café, do açúcar. Os outros alimentos estão adequados. Tem uma boa produção de soja; vai aumentar a produção de arroz e de feijão”, ressalta. 

    O que deveria ser feito?

    Além de reduzir a carga de impostos (o que ja está previsto na Reforma Tributária),  as soluções com maior apelo está o fomento à produção agrícola, com a possibilidade de ampliar linhas de crédito para pequenos e médios produtores, bem como baixar o juros.

    Essa abordagem visa aumentar a oferta de alimentos no mercado interno e, consequentemente, reduzir os preços.

    Ao mesmo tempo, membros do governo sugeriram um plano de “retirada” de entraves logísticos para facilitar o escoamento da produção.

    Ideias como a modernização de portos e rodovias e a revisão de tarifas de transporte foram colocadas em pauta, ainda que sem detalhamento de custos ou prazos.

    Analistas apontam que, para conter a inflação de forma eficaz, o governo precisará alinhar discurso e prática, criando políticas claras e de longo prazo.

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