Alimentos impulsionam inflação; famílias de baixa renda são as mais afetadas

    Aumentos expressivos nas proteínas animais, como carnes e aves e ovos puxaram números para cima

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    Alimentos impulsionam inflação; famílias de baixa renda são as mais afetadas
    16deJaneirode2025ás16:56

    A inflação avançou em dezembro de 2024, pressionada pelos preços de alimentos e transportes, com maior impacto sobre as famílias de renda mais baixa.

    Dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgados nesta quinta-feira (16) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que, enquanto a inflação para as famílias de alta renda recuou de 0,64% em novembro para 0,55% em dezembro, o índice para as famílias de renda muito baixa subiu de 0,26% para 0,48% no mesmo período.

    No acumulado de 2024, as famílias de renda mais baixa registraram a maior alta inflacionária, de 5%, superando a variação de 4,4% observada entre as famílias de maior poder aquisitivo.

    A análise comparativa entre 2024 e 2023 revela aceleração da inflação para as quatro faixas de renda mais baixas, enquanto as famílias de renda média alta e alta experimentaram desaceleração. 

    Alta dos alimentos pesa mais para famílias vulneráveis

    O peso dos alimentos no orçamento das famílias mais pobres é um fator determinante para o impacto inflacionário desproporcional.

    Apesar das quedas nos preços de cereais (-0,98%), tubérculos (-7,2%) e laticínios (-0,63%) em dezembro, os aumentos expressivos nas proteínas animais, como carnes (5,3%) e aves e ovos (2,2%), além dos reajustes em itens como óleo de soja (5,1%) e café (5%), puxaram a inflação para cima.

    carne

    Por outro lado, a pressão inflacionária sobre as famílias de alta renda veio principalmente do grupo transportes. O aumento do transporte por aplicativo (20,7%) e das passagens aéreas (4,5%) impactou de forma significativa esse segmento.

    Já para as famílias de renda mais baixa, o reajuste nas tarifas de trem e ônibus interestadual (3,8%), somado à alta dos combustíveis (0,7%), teve maior peso.

    Nos últimos 12 meses, os alimentos no domicílio apresentaram altas significativas em itens básicos como arroz (8,2%), carnes (20,8%), aves e ovos (6,5%), óleo de soja (29,2%), leite (18,8%) e café (36,9%). 

    Deflação na energia elétrica alivia pressão

    O grupo habitação apresentou deflação em dezembro, impulsionado pela queda de 3,2% nas tarifas de energia elétrica, o que trouxe alívio inflacionário para todas as faixas de renda.

    Ainda assim, os grupos alimentos e bebidas, transportes e saúde e cuidados pessoais concentraram as maiores pressões inflacionárias dos últimos 12 meses. 

    Pressões acumuladas nos últimos 12 meses

    Já no setor de saúde, nos últimos 12 meses, os destaques foram os aumentos nos preços de medicamentos (6%), produtos de higiene (4,2%), serviços de saúde (7,6%) e planos de saúde (7,9%). 

    No grupo transportes, tarifas de metrô (10,8%), transporte por aplicativo (10%), gasolina (9,7%) e etanol (17,6%) foram os principais responsáveis por pressionar o índice inflacionário.

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