China reduz em mais da metade as importações de grãos em janeiro
Gigante asiático elevou estoques até dezembro e implementou medidas protecionistas no último mês
A preparação da China para a pretensa nova era comercial, com a posse de Donald Trump nos Estados Unidos, já está afetando mais os exportadores de soja do Brasil que os próprios estadunidenses.
Segundo a BIMCO (Baltic and International Maritime Council), as importações de grãos do gigante asiático caíram 51% em janeiro para o menor nível desde 2018.
A redução afetou significativamente o setor de transporte de granéis sólidos, especialmente os navios Panamax, que transportam 83% da carga de grãos da China.
O Índice Panamax da Bolsa Báltica caiu 41% em comparação ao ano passado e, nesta semana, atingiu seu nível mais baixo desde maio de 2020.
A análise da BIMCO mostra que os impactos variam entre os principais exportadores.
O Brasil, que representa 47% dos embarques, registrou uma queda de 29%, enquanto as cargas dos Estados Unidos, que correspondem a 22% das exportações, diminuíram 57%.
A BIMCO também observa que, apesar da redução nos volumes, a preferência por cargas brasileiras oferece certo respiro, ainda que provisório, ao setor de transporte marítimo de granéis sólidos.
Isso porque a rota Brasil-China é cerca de 25% mais longa do que a rota EUA-China sob condições normais do Canal do Panamá.