Indústria de máquinas agrícolas desacelera e projeta crescimento de 3,4% em 2026

    Com juros elevados, câmbio menos favorável e investimentos represados, setor projeta avanço abaixo do ritmo de 2025, segundo a Abimaq

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    Indústria de máquinas agrícolas desacelera e projeta crescimento de 3,4% em 2026
    29deJaneirode2026ás14:34

    Após a projeção de um crescimento de 3,4% para 2026, abaixo da metade registrado em 2025 (7,4%), o setor industrial de máquinas agrícolas tem olhado para o novo ano com ceticismo e alguma apreensão.

    Segundo projeções da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a  produção de tratores, colheitadeiras e outros equipamentos deve seguir crescendo, mas de maneira bem mais modesta.

    “Apesar da estimativa de uma nova produção recorde de grãos, os investimentos feitos em 2025, como modernização e renovação da frota, ficam represados e reduzem a necessidade do produtor de investir em máquinas”, diz a diretora de competitividade da Abimaq, Cristina Zanella

    Esse crescimento tímido, no entanto, resiste em refletir um movimento típico do agro nacional. Primeiro, produtores produzem mais, cultivam novas áreas, logo, enfrentam desafios como clima e custos com tecnologia agrícola.

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    Depois, buscam por equipamentos mais eficientes, que reduzam perdas e aumentem produtividade. Essa demanda se traduz diretamente em encomendas para as fábricas de máquinas e mais empregos em suas linhas de montagem, setor aquecido em 2025. 

    2026 abaixo da expectativa

    Segundo divulgou o portal da CNN, a Abimaq mapeou, no fim do ano passado, a intenção de investimentos das indústrias de máquinas agrícolas.

    Entre as empresas com receita anual entre R$ 18 milhões e R$ 100 milhões, as estimativas são positivas, com aporte de 13,2% a mais em 2026.

    Já entre os grandes fabricantes, com faturamento acima de R$ 100 milhões, os aportes devem subir 5,5%. Mas, as micro e pequenas indústrias, a maioria do setor, com rendimentos menores que R$ 18 milhões, devem trancar o caixa e retrair 1,3%.

    2025 deixou saudade

    Ano de supersafras, viu as vendas subiram 6,7% no mercado interno, totalizando R$ 57,59 bilhões. Já as exportações de máquinas e implementos agrícolas tiveram crescimento de 12,2% no período, passando para US$ 1,63 bilhão.

    As importações cresceram 1,4%, para US$ 1,22 bilhão. O balanço foi apresentado em uma coletiva, onde a entidade frisou que a desaceleração anunciada leva em conta, também, preocupações recentes com a China, que agora desponta como produtora e exportadora de maquinário agrícola para inúmeros países, acirrando a competitividade com fabricantes nacionais que têm dificuldade em manter as margens, devido ao baixo valor da mão de obra chinesa.

    O acordo União Europeia-Mercosul, que ainda patina, também frustrou as expectativas do setor. 

    Agricultura de Precisão

    Ainda que numa velocidade menor, o Brasil tem fortalecido um movimento, inevitável, de adoção de tecnologia e automação no campo, desde direção assistida em tratores até sistemas de telemetria e agricultura de precisão.

    Essas ferramentas melhoram a eficiência de uso das máquinas e ajudam o produtor a tomar decisões melhores sobre manejo, fertilização e colheita.

    Tratores antigos, colheitadeiras e implementos menores muitas vezes exigem mais manutenção e consomem mais combustível, o que pesa no custo de produção. A substituição por equipamentos novos e mais tecnológicos se torna um investimento que compensa.

    Além de motores e sistemas mecânicos, o setor tem incorporado cada vez mais eletrônica e software, tornando as novas máquinas verdadeiros centros de dados no meio da lavoura.

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