Prudente, Boa Safra tem alta na B3 mesmo com piora de resultados em 2024
Política de crédito mais restritiva piorou resultados, mas foi vista de forma positiva pelo mercado, assim como investimento na ampliação das operações

A Boa Safra Sementes registrou um desempenho financeiro abaixo das expectativas do mercado no quarto trimestre de 2024, com queda em diversos indicadores.
Uma das razões foi uma política de concessão de crédito mais criteriosa, além das condições climáticas e de preço das principais commodities na última safra.
Talvez por isso, as ações da empresa tiveram alta na B3, refletindo a confiança de investidores na "estratégia prudente" e na melhoria do cenário do agro para 2025.
Após caírem no dia divulgação dos resultados, os papéis da Boa Safra já recuperaram as perdas e operam hoje (dia 27) acima do nível anterior à divulgacão do balanço (R$ 10,66 contra R$ 10,77).
Números
No ano passado, a Receita Operacional Líquida da companhia foi de R$ 1,84 bilhão, representando uma redução de 11,43% frente aos R$ 2,08 bilhões faturados em 2023.
Por sua vez, o EBITDA Ajustado, que atingiu R$ 183,3 milhões em 2024, registrou uma queda expressiva de 35,45% na comparação com os R$ 284 milhões alcançados no ano anterior.
A margem EBITDA ajustada também recuou, caindo de 13,66% em 2023 para 9,96% em 2024.
Do mesmo modo, o lucro líquido ajustado apresentou forte redução, caindo para R$ 93,5 milhões, uma queda de 61,96% em relação aos R$ 245,7 milhões obtidos em 2023.
Este resultado levou a uma queda significativa da margem líquida ajustada, que passou de 11,82% para apenas 5,08%.
A dívida líquida ajustada da Boa Safra encerrou 2024 em R$ 49 milhões, representando uma melhora significativa frente aos R$ 79 milhões negativos registrados em 2023.
Com isso, a relação Dívida Líquida/EBITDA Ajustado encerrou o ano em 0,93x, demonstrando uma situação financeira equilibrada.
Analistas
Os resultados abaixo do esperado foram comentados por analistas financeiros de grandes bancos.
O Citi classificou os números da Boa Safra no quarto trimestre como "fracos e abaixo das expectativas", destacando especialmente a queda no volume de vendas.
Analistas do Citi, Gabriel Barra e Pedro Gama, mencionaram em relatório que já antecipavam uma desaceleração, mas esperavam que a Boa Safra apresentasse resultados um pouco melhores no fechamento de 2024, indicando um cenário de desafios que impactou a empresa além do esperado.
O BTG Pactual compartilhou dessa visão crítica em relação aos números do 4T24, também classificando-os como fracos.
Os analistas do banco apontaram que esses resultados refletiram obstáculos enfrentados pela Boa Safra durante o período analisado.
Entretanto, mesmo diante desses números negativos, tanto o Citi quanto o BTG Pactual optaram por manter a recomendação de compra para as ações da Boa Safra.
Os posicionamentos apontam confiança na recuperação da empresa e destacando a melhoria do mercado e os investimentos da empresa.
Investimentos
Apesar dos desafios, a companhia continuou investindo em capacidade produtiva.
Em 2024, atingiu 280 mil big bags de sementes, um aumento significativo de 20% em relação ao ano anterior, confirmando seu compromisso com o crescimento operacional.
Um dos destaques estratégicos da Boa Safra foi a expansão logística. Em 2024, a empresa inaugurou dois novos Centros de Distribuição, ampliando a escala operacional e aumentando a proximidade com os clientes em importantes regiões agrícolas.
Além disso, houve uma intensificação no investimento em sementes de alta tecnologia, especialmente no Tratamento de Sementes Industrial (TSI).
A Boa Safra também diversificou seu portfólio com culturas adicionais, incluindo sorgo, milho, feijão e trigo, buscando reduzir a dependência da soja.
A empresa ainda reforçou seu compromisso com práticas sustentáveis por meio da iniciativa SBS Green Seeds, que promove a agricultura regenerativa, um modelo agrícola mais sustentável e alinhado às tendências globais de responsabilidade ambiental.
