Minerva pede R$ 2 bilhões a acionistas para reduzir dívidas caras
Movimento também deve reposicionar os Vilela Queiroz como maiores acionistas
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A Minerva Foods comunicou na noite de ontem (dia 7) ao mercado a intenção de reduzir seu nível de endividamento e atenuar o impacto dos juros elevados com novos aportes de seus acionistas.
A Companhia busca um aumento de capital privado de R$ 2 bilhões, em um momento em que o custo do crédito tem afetado significativamente seu resultado, sobretudo diante do cenário de taxa Selic em patamares altos.
De acordo com o fato relevante, a proposta prevê a emissão de até 386,8 milhões de novas ações ao preço de R$ 5,17 cada, com desconto de 20% no valor dos papéis.
O aporte mínimo para a homologação parcial é de R$ 1 bilhão. Dependendo da demanda dos investidores, a operação pode alcançar o teto de R$ 2 bilhões ou até mais.
O objetivo principal é utilizar esses recursos para refinanciar compromissos financeiros, aliviando o peso dos juros no balanço da empresa.
A Minerva elevou sua alavancagem de 2,5x para 3,7x EBITDA depois de adquirir 13 fábricas da Marfrig no final do ano passado, impactando seus indicadores de endividamento.
Com o aumento de capital anunciado, a companhia pretende acelerar a desalavancagem, buscando encerrar este ano com um múltiplo de 3x EBITDA e voltar ao patamar pré-aquisição de 2,5x EBITDA até 2026.
Ao destinar parte dos recursos para reduzir o montante total de dívidas, a Minerva tende a ter custos de menores e, consequentemente, melhorar sua estrutura de capital no longo prazo. A operação poderia reduzir em até R$ 300 milhões as despesas financeiras anuais da companhia.
Para atrair compradores, a Minerva vai oferecer Bônus de Subscrição. A cada duas ações subscritas, o investidor receberá um bônus que lhe dá o direito de adquirir mais uma ação pelo mesmo preço de R$ 5,17, em um prazo de até três anos.
A manobra é semelhante à executada pela Minerva em 2018, quando a empresa buscou reduzir sua alavancagem em meio a incertezas no ambiente macroeconômico.
Metade do caminho
Dos R$ 2 bilhões pretendidos, metade já conta com o compromisso de dois acionistas expressivos: Salic International Investment Company (fundo soberano da Arábia Saudita) com R$ 300 milhões e VDQ Holdings S.A, holding da família Vilela de Queiroz, com R$ 700 milhões.
O total de R$ 1 bilhão garantiria a viabilidade do aumento de capital mesmo que a adesão dos demais investidores não atinja o valor total. Além disso, os Vilela Queiroz voltariam a ser os maiores acionistas da companhia.
A previsão é de que os recursos adicionais contribuam para refinanciar dívidas, reduzir pressões de juros e, assim, permitir que a empresa mantenha o foco em seu segmento principal: a exportação de carne bovina, na qual se destaca como líder na América do Sul.
A Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para deliberar sobre o tema está marcada para 29 de abril de 2025.