AgroGalaxy muda comando e reduz diretoria em recuperação judicial
Mudanças incluem troca de CEO e esclarecimentos ao mercado sobre governança e controle da companhia
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A AgroGalaxy atravessou nesta quinta-feira (5) um dos momentos mais sensíveis desde a homologação de seu plano de recuperação judicial, ao promover uma ampla reformulação na alta administração e vir a público para rebater especulações sobre mudança de controle.
As decisões ocorrem em meio ao esforço de reorganização financeira e operacional da companhia, que enfrenta forte retração de receita e elevada alavancagem.
A empresa substituiu o CEO Eron Martins, o CFO Luiz Conrado Sundfeld e o presidente do Conselho de Administração, Sebastian Marcos Popik. Luiz Gabriel Piovezani Silva, até então vice-presidente de Suprimentos, assumiu como diretor-presidente e acumulará, de forma interina, as funções de diretor financeiro e de relações com investidores.
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A nova estrutura entra em vigor nesta quinta-feira (5) e foi comunicada ao mercado por meio de fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Com a reestruturação, a diretoria estatutária foi reduzida de quatro para dois executivos.
Além de Luiz Gabriel, permanece apenas Marcos de Carvalho Ramos como diretor administrativo. Também deixou a companhia a diretora jurídica Marina Godoy da Cunha Alves. O Conselho de Administração foi enxugado de cinco para três membros.
Mudança ocorre meses após reeleição unânime
As alterações contrastam com a decisão tomada em 17 de dezembro de 2025, quando o Conselho havia reelegido por unanimidade Eron Martins como CEO e Luiz Conrado Sundfeld como CFO por mais um ano, com mandato iniciado em 23 de dezembro. À época, a manutenção da diretoria foi justificada pela necessidade de garantir previsibilidade à execução do plano de recuperação judicial.
Na mesma data, a AgroGalaxy aprovou a emissão de R$ 213,3 milhões em debêntures, com vencimento em 2035 e carência até dezembro de 2027, destinadas ao pagamento de fornecedores.
Plano de recuperação e números recentes
O plano de recuperação judicial da companhia foi homologado em 30 de maio de 2025 e prevê o reperfilamento de R$ 4,6 bilhões em dívidas, com carência de dois a três anos e prazo de amortização de até 16 anos. Como parte do ajuste operacional, a empresa reduziu sua rede de 170 lojas para 63 unidades, além de manter 14 silos e uma unidade de sementes.
Companhia e assessora negam mudança de controle
Ao longo do dia, a AgroGalaxy também se posicionou para esclarecer questionamentos sobre sua estrutura de controle, após a divulgação de informações na imprensa. Em nota, a Tauá Partners, firma especializada em reestruturação de empresas em situação financeira adversa, afirmou que sua atuação junto à companhia não envolve assunção de controle.
“A Tauá Partners esclarece que não assumiu o controle da Agrogalaxy, como veiculado. O escopo da Tauá está restrito a assessorar a Companhia no processo de reestruturação em curso”, informou a empresa.
A AgroGalaxy reforçou o mesmo ponto em comunicado ao mercado, ao afirmar que as mudanças na administração “não representam a transferência de controle, transferência operacional ou do controle de fato”. A manifestação ocorreu após notícia publicada pelo site The Agribiz, que apontava que o Aqua Capital, acionista controlador com 66,72% das ações, estaria repassando a gestão e o controle de fato à Tauá Partners.
“A Tauá Partners atua como prestadora de serviços especializados de turnaround, contratada pela gestão da companhia e iniciando seus trabalhos no quarto trimestre de 2025 no contexto de seu processo de reorganização operacional e financeira”, afirmou a AgroGalaxy.
O comunicado ressalta ainda que as indicações para a nova administração têm caráter técnico e buscam profissionais com experiência em reorganizações empresariais, reestruturação de passivos e recuperação de desempenho.
A empresa destacou que a administração segue sob responsabilidade do Conselho e da diretoria e que o acordo de acionistas permanece em pleno vigor, sem alterações na estrutura de controle ou na condução operacional.