Venda de tratores crescerá 3,3% ao ano até 2030, mas de colheitadeiras e pulverizadoras deve cair
Estimativa é dos consultores Gregori Boschi e Carlos Cogo

Apesar de um 2024 desafiador para o mercado de máquinas agrícolas, 2025 começa a sinalizar retomada que deve seguir até 2030, embora com rumos distintos para tratores, colheitadeiras e pulverizadores.
Na linha de produção, a indústria de máquinas agrícolas espera crescer 7% em tratores neste ano, mas já antecipa quedas de 1,9% em colheitadeiras e de 2,9% em pulverizadores em 2025. A estimativa é dos consultores Gregori Boschi e Carlos Cogo
A base do crescimento em 2025 está ligada à safra recorde estimada em 322,4 milhões de toneladas e à recuperação dos preços de commodities.
Esses fatores devem elevar a renda dos produtores e estimular investimentos em mecanização, apesar do crédito rural seguir restrito: com a Selic em 15,25%, seriam necessários R$ 25 bilhões só para manter o mesmo nível de apoio do Plano Safra anterior.
Mas o orçamento previsto para subvenção de juros no ciclo 2025/26 é de apenas R$ 15 bilhões — o que cobriria cerca de 20% da demanda estimada.
O grande vetor negativo é o custo elevado de aquisição, agravado pela alta nos juros e na manutenção.
“Mesmo com crédito caro, o trator continua sendo peça-chave na operação agrícola e tende a ser prioridade nas compras”, avalia Carlos Cogo, sócio da consultoria.
Segundo estimativas da Boschi Inteligência de Mercado, os tratores devem manter um ritmo de crescimento de 3,3% ao ano até 2030, impulsionados pela agricultura de precisão, renovação da frota defasada e aumento do uso de tecnologias embarcadas.
Já colheitadeiras e pulverizadores autopropelidos devem recuar, com taxas médias anuais de -1,6% e -3,2%, respectivamente, refletindo a pressão dos juros, novas exigências regulatórias e o avanço dos drones.
Colheitadeiras
O cenário para as colheitadeiras é mais delicado. Além do crédito restrito, a chegada do MAR-II — o novo padrão de emissões para máquinas fora de estrada — já começa a travar decisões de compra.
A regulação, prevista para 2030, exigirá a adoção do padrão Tier 4 Final para equipamentos acima de 130 kW, mas ainda é incerta para faixas menores.
O estudo da EnvironMentality estima 99% de probabilidade de publicação da norma até 2025, mas apenas 5% de chance de cobertura total para todas as categorias até o fim da década.
Pulverizadores
No caso dos pulverizadores, o mercado enfrenta uma canibalização incipiente.
O uso de drones para aplicações pontuais de defensivos ainda é tímido, mas já suficiente para provocar retrações na demanda por máquinas maiores.
Ao mesmo tempo, cresce o uso de bioinsumos e de soluções mais precisas, reduzindo a necessidade de equipamentos robustos.
Em paralelo, as tecnologias embarcadas devem avançar de forma significativa, com sensores, inteligência artificial e conectividade em tempo real.
Isso promete elevar a produtividade, reduzir a dependência do operador e aumentar a eficiência operacional.
O salto tecnológico, no entanto, virá acompanhado de aumento nos custos de aquisição.
Renovação da frota
A renovação da frota, aliás, é um gargalo conhecido.
Estudo da Boschi Inteligência de Mercado, a ser divulgado em setembro de 2025, vai mapear a idade e as condições da frota de tratores, colheitadeiras e pulverizadores por estado e por cultura.
Hoje, as grandes propriedades, voltadas à produção de grãos, cana e algodão, investem com mais frequência. Já as pequenas recorrem à locação, compra de usados ou adaptações.
