Onde estão os aviões agrícolas no Brasil: Mato Grosso concentra 27,5% da frota
Distribuição nacional revela concentração da atividade em regiões com produção intensiva e avanço do modelo de serviços especializados
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Mato Grosso lidera a aviação agrícola no Brasil, com 803 aeronaves em 2025 e 27,5% da frota nacional, em um cenário marcado pela forte concentração nos principais polos do agronegócio.
Na sequência aparecem Rio Grande do Sul (398), São Paulo (328) e Goiás (320), estados que, juntos, concentram mais da metade dos aviões agrícolas do país.
O levantamento integra a Análise da Frota Aeroagrícola Brasileira de Aviões e Helicópteros 2025, apresentada durante a Abertura Oficial da Colheita do Arroz, em Capão do Leão (RS).
Elaborado pelo diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, o estudo destaca a aviação agrícola como infraestrutura estratégica do agronegócio.
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Logo atrás, aparecem Bahia (188), Mato Grosso do Sul (160), Paraná (141) e Minas Gerais (109). Estados como Pará, Tocantins, Maranhão e Rondônia têm presença intermediária, enquanto o restante do país ainda registra baixa participação.

Sozinho, Mato Grosso concentra cerca de 27,5% da frota nacional.
O Rio Grande do Sul responde por 14,1%, seguido por São Paulo (11,8%) e Goiás (11,3%). Na sequência vêm Bahia (6,4%), Mato Grosso do Sul (5,4%) e Paraná (5,4%), enquanto os demais estados ficam abaixo de 4%.
Centro-Oeste e Sul concentram a operação
A distribuição confirma a predominância do Centro-Oeste e do Sul, regiões que concentram a produção em larga escala. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideram no Centro-Oeste, enquanto Rio Grande do Sul e Paraná puxam o Sul.
O Sudeste mantém relevância com São Paulo e Minas Gerais.
No Nordeste, a Bahia se destaca, enquanto o Norte ainda tem participação menor, embora em expansão, especialmente em estados como Pará e Tocantins.

Crescimento reforça concentração
O avanço recente reforçou os polos já consolidados.
Mato Grosso saltou de 749 para 803 aeronaves entre 2024 e 2025, e o Rio Grande do Sul passou de 385 para 398. São Paulo e Goiás cresceram de forma mais moderada, refletindo mercados mais maduros.
Frota cresce e consolida papel estratégico
O Brasil encerrou 2025 com 2.866 aeronaves agrícolas tripuladas, alta de 5,25% em relação ao ano anterior. Em 2009, eram 1.498 — crescimento de mais de 90% em pouco mais de uma década, impulsionado principalmente a partir de 2022.
O país se mantém como segunda maior potência mundial da aviação agrícola, atrás apenas dos Estados Unidos, e se consolida como um dos principais mercados globais do segmento.
Segundo o diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, os números refletem mudanças estruturais.
"Eles revelam transformações estruturais no setor, como o avanço da profissionalização das operações, a consolidação dos serviços especializados e a modernização gradual da frota”, afirmou.
Setor se profissionaliza e ganha escala
A estrutura da frota mostra um setor mais organizado. 62,9% das aeronaves estão em empresas especializadas (SAE), enquanto 35,7% pertencem a produtores (TPP).
Entre 2023 e 2025, 119 aeronaves migraram do modelo próprio para o terceirizado, indicando avanço da profissionalização, busca por eficiência e maior exigência operacional.
Apesar da expansão, a frota mantém perfil maduro. O ano médio de fabricação é 2001, com idade média de 22 anos.
Mesmo assim, o desempenho se mantém elevado, sustentado por manutenção rigorosa e adaptação tecnológica.
Modernização avança de forma gradual
A frota é equilibrada entre aeronaves nacionais (51%) e importadas (49%), com liderança da indústria brasileira.
Motores a pistão ainda predominam (69%), mas os turboélice já representam 31% e avançam com foco em maior produtividade.
Outro marco de 2025 é o registro do primeiro avião agrícola autônomo no Brasil, o Pyka Pelican. Embora represente apenas uma unidade, o avanço tem caráter simbólico e marca o início da incorporação de sistemas autônomos no ambiente regulado.
A tendência é de convivência progressiva entre aeronaves tripuladas e tecnologias autônomas, inicialmente em operações específicas e nichos. A modernização ocorre de forma gradual, sem substituição imediata da frota atual.
Mercado concentrado entre poucos fabricantes
A estrutura industrial também é concentrada. A Embraer/Neiva responde por cerca de 50,8% da frota, seguida pela Air Tractor, com 29,1%.
Concentração regional define o setor
A distribuição confirma uma lógica direta: a aviação agrícola acompanha a geografia da produção.
Regiões com grandes áreas cultivadas concentram mais aeronaves, já que exigem rapidez e escala nas aplicações. Nesse cenário, a liderança de Mato Grosso reflete diretamente seu peso no agronegócio brasileiro.