BNDES retoma investimentos em ações com aporte de R$ 114 milhões no Grupo Santa Clara
Banco adquire 19,9% de empresa de bioinsumos e apoia expansão com nova fábrica no interior de SP

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um investimento de R$ 114 milhões para aquisição de ações do Grupo Santa Clara, empresa especializada em fertilizantes especiais e bioinsumos com sede em Ribeirão Preto (SP).
A operação marca o retorno da BNDES Participações S.A. (BNDESPAR) ao mercado de renda variável após uma década, reforçando a estratégia de fomento à economia verde, inovação tecnológica e industrialização nacional.
Com o aporte, o BNDES passa a deter 19,9% do capital da companhia, por meio da subscrição primária de ações ordinárias. Segundo o banco, o objetivo é fortalecer a estrutura de capital da empresa para apoiar sua expansão produtiva e de mercado.
A tese de investimento está alinhada a políticas públicas como o Programa Nacional de Bioinsumos, o Plano Nacional de Fertilizantes e a Nova Indústria Brasil.
Crescimento e nova planta de biodefensivos
Parte dos recursos será destinada à construção de uma nova planta de fabricação de biodefensivos em Jaboticabal (SP), onde o grupo já opera duas unidades de fertilizantes especiais e laboratórios.
A unidade será operada pela Inflora Biociência, empresa criada em 2023 para pesquisa e produção de biodefensivos de terceira e quarta gerações. As pesquisas foram iniciadas em 2017, com parcerias estratégicas como a Embrapa.
Os biodefensivos de terceira geração, à base de metabólitos microbianos e extratos vegetais, se destacam por não dependerem de microrganismos vivos na formulação final — o que aumenta o prazo de validade, acelera o efeito após aplicação e facilita o manejo. Já os de quarta geração visam ao melhoramento genético dos microrganismos para potencializar a produção e performance dos metabólitos.
Além da nova planta, o Grupo Santa Clara também vai investir na criação de um centro de inovação e no desenvolvimento de novos registros de produtos voltados ao manejo agrícola sustentável.
“A chegada do BNDES possibilita continuarmos a implantação do nosso Plano de Negócio e sua ênfase na pesquisa, desenvolvimento e inovação, que representam o DNA da Santa Clara, uma marca nacional que destina 8% de sua receita anual em PD&I. E assim ampliar nossas soluções que potencializam a agricultura baseada em produtividade, rentabilidade e sustentabilidade, contribuindo para a transição energética do país”, afirma João Pedro Cury, CEO do Grupo Santa Clara.
Expansão agressiva e governança estruturada
Com cerca de 300 colaboradores, o Grupo Santa Clara registrou faturamento de R$ 255 milhões na safra 2024/25 e projeta crescer cerca de 20% na próxima temporada (2025/26).
A meta da companhia é quadruplicar de tamanho até 2030, alcançando R$ 1 bilhão em receita. Para isso, aposta em inovação, diversificação de culturas atendidas — como cana, café e hortifrúti, além da soja e do milho — e atração de talentos e parceiros tecnológicos.
A empresa também reforçou práticas de governança corporativa nos últimos anos, com auditorias realizadas por Big Four, implantação de sistema ERP SAP, conselho de administração estatutário e planejamento estratégico estruturado.
“Boas práticas de governança, como a profissionalização de executivos e processos de gestão consolidados, proporcionaram as condições para o crescimento sustentável da companhia, que atua em segmentos estratégicos para o país e que estão em plena expansão”, complementa o CEO.
Papel do BNDES na transição verde
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que a operação está alinhada às prioridades do governo federal para geração de empregos e descarbonização da economia.
“A atuação do BNDES é estratégica para impulsionar investimentos em transição ecológica e descarbonização, contribuindo com o desenvolvimento de empresas brasileiras de todos os portes e garantindo a geração de empregos no Brasil. O emprego de fertilizantes especiais e de bioinsumos na agricultura contribui para reduzir a pegada de emissões de gases de efeito estufa com o menor uso de fertilizantes químicos, preservando a biodiversidade a partir da diminuição do uso de agrotóxicos”, afirmou.
