Inflação oficial tem maior queda em três anos com recuo dos alimentos e da energia
Tomate, batata, cebola e arroz puxaram deflação em agosto; conta de luz e combustíveis também contribuíram
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A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), caiu 0,11% em agosto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado foi puxado pela queda nos alimentos e na energia elétrica e representa a maior deflação em três anos. Foi o primeiro índice negativo desde agosto de 2024 (-0,02%) e o mais intenso desde setembro de 2022 (-0,29%).
No acumulado de 2025, a inflação soma alta de 3,15% e, em 12 meses, ficou em 5,13%, abaixo dos 5,23% registrados até julho.
O grupo Alimentação e bebidas, de maior peso no IPCA, caiu 0,46% em agosto e registrou a terceira queda consecutiva (-0,18% em junho e -0,27% em julho). No trimestre, os alimentos acumulam recuo de 0,91%.
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A principal influência veio da alimentação no domicílio, que recuou 0,83%.
Entre os destaques estão as reduções do tomate (-13,39%), batata-inglesa (-8,59%), cebola (-8,69%), arroz (-2,61%) e café moído (-2,17%).
“De forma geral, tais produtos registraram quedas em razão de maior oferta”, explicou o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves.
Ele ponderou que não é possível medir o impacto direto do tarifaço americano, iniciado em agosto, mas o menor envio de frutas ao mercado dos Estados Unidos pode ter ampliado a oferta interna, ajudando a pressionar os preços para baixo.

Conta de luz recua com bônus de Itaipu
A energia elétrica residencial recuou 4,21% em agosto, maior queda entre os subitens pesquisados, com impacto de -0,17 ponto percentual no índice.
O resultado foi influenciado pelo chamado Bônus de Itaipu, que beneficiou 80,8 milhões de consumidores e compensou os custos da bandeira tarifária vermelha 2.
Com isso, o grupo Habitação caiu 0,90%, o maior recuo para um mês de agosto desde o início do Plano Real, em 1994. O IBGE adiantou, no entanto, que esse efeito deve ser revertido em setembro, já que o desconto não será aplicado novamente.
Transportes e combustíveis em baixa
O grupo Transportes registrou queda de 0,27% em agosto, puxado principalmente pelas passagens aéreas (-2,44%), que recuam após o pico de demanda das férias escolares em julho.
Nos combustíveis, a gasolina caiu 0,94%, o etanol 0,82% e o gás veicular 1,27%. Apenas o óleo diesel subiu (0,16%). A queda da gasolina foi influenciada pela nova determinação que elevou de 27% para 30% a mistura de etanol na composição do combustível a partir de agosto.
Outros grupos
Também apresentaram deflação em agosto os grupos Comunicação e Artigos de residência (ambos -0,09%).
Por outro lado, houve altas em Educação (0,75%), Saúde e cuidados pessoais (0,54%), Vestuário (0,72%) e Despesas pessoais (0,40%). O aumento em educação foi o maior para um mês de agosto desde 2016, puxado por reajustes nas mensalidades do ensino superior (1,26%) e fundamental (0,65%).
O índice de difusão — que mede o percentual de itens com alta de preços — passou de 50% em julho para 57% em agosto. Entre os alimentos, caiu de 50% para 47%, reforçando a disseminação das quedas no setor.