Surto de peste suína africana na Espanha acende alerta no Brasil; Mapa reforça vigilância
Primeiros casos em 30 anos foram confirmados em javalis perto de Barcelona; governo espanhol mobiliza Exército
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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) comunicou que a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) foi notificada sobre a ocorrência de peste suína africana (PSA) em javalis na província de Barcelona, na Catalunha.
O episódio, registrado em 26 de novembro, é o primeiro no país desde 1994. Até 2 de dezembro, nove casos foram confirmados, todos restritos a animais silvestres e sem qualquer detecção em suínos comerciais.
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A confirmação da PSA acendeu o alerta em um setor emblemático da Espanha. Reconhecido mundialmente pelo jamón, presunto cru que é marca registrada da culinária local, o país enfrenta agora um risco sanitário capaz de afetar diretamente sua cadeia produtiva.
Autoridades espanholas informaram que dois javalis encontrados mortos nas proximidades de Barcelona testaram positivo para o vírus. Diante da possibilidade de avanço da doença, o governo convocou o Exército para apoiar ações de vigilância, rastrear casos suspeitos e acelerar respostas em campo, segundo a agência Reuters.
A dimensão econômica do risco também preocupa: a Espanha é o maior produtor de carne suína da União Europeia e o terceiro do mundo, ficando atrás apenas de China e Estados Unidos. O
setor movimenta cerca de € 8,8 bilhões por ano, com a UE absorvendo 60% das exportações e a China figurando como principal compradora fora do bloco.
Após a confirmação do surto, a carne produzida num raio de 20 quilômetros deixou de ser exportada para a União Europeia. A princípio, a Espanha chegou a suspender todas as exportações de carne suína para a China, até que o país asiático confirmasse a aplicação do protocolo firmado no início do ano, que restringe a proibição apenas às regiões diretamente afetadas.
Vírus resistente e de alto impacto econômico
A PSA é uma doença viral que afeta suínos domésticos, asselvajados e javalis. Embora não represente risco à saúde humana, por não ser zoonose, tem potencial de rápida disseminação e efeitos severos para sistemas produtivos.
A presença de carrapatos do gênero Ornithodoros, que podem atuar como vetores, torna o controle ainda mais desafiador em áreas silvestres.
O vírus apresenta elevada resistência ambiental, permanecendo ativo por longos períodos em roupas, calçados, veículos, equipamentos e em produtos suínos sem tratamento térmico adequado.
A introdução em territórios livres geralmente ocorre pelo contato com objetos contaminados ou pela ingestão de resíduos alimentares contendo carne suína infectada.
Brasil permanece livre de PSA há 40 anos
O Brasil segue oficialmente livre da peste suína africana desde 1984, status reconhecido internacionalmente e mantido graças a protocolos sanitários rigorosos.
Segundo o Mapa, a preservação dessa condição depende da atenção permanente à circulação de pessoas, produtos e materiais oriundos de regiões afetadas.
A entrada do vírus no país teria impacto expressivo sobre toda a cadeia suinícola, afetando produção, comércio interno e exportações.
Por isso, o Brasil mantém vigilância reforçada e medidas preventivas atualizadas, consideradas essenciais diante da reintrodução da PSA em um dos maiores produtores globais de carne suína.