Surto de peste suína africana na Espanha acende alerta no Brasil; Mapa reforça vigilância

    Primeiros casos em 30 anos foram confirmados em javalis perto de Barcelona; governo espanhol mobiliza Exército

    Por |
    Surto de peste suína africana na Espanha acende alerta no Brasil; Mapa reforça vigilância
    05deDezembrode2025ás10:55

    O  Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) comunicou que a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) foi notificada sobre a ocorrência de peste suína africana (PSA) em javalis na província de Barcelona, na Catalunha.

    O episódio, registrado em 26 de novembro, é o primeiro no país desde 1994. Até 2 de dezembro, nove casos foram confirmados, todos restritos a animais silvestres e sem qualquer detecção em suínos comerciais. 

    ✅ CLIQUE AQUI PARA SEGUIR O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP 

    A confirmação da PSA acendeu o alerta em um setor emblemático da Espanha. Reconhecido mundialmente pelo jamón, presunto cru que é marca registrada da culinária local, o país enfrenta agora um risco sanitário capaz de afetar diretamente sua cadeia produtiva.

    Autoridades espanholas informaram que dois javalis encontrados mortos nas proximidades de Barcelona testaram positivo para o vírus. Diante da possibilidade de avanço da doença, o governo convocou o Exército para apoiar ações de vigilância, rastrear casos suspeitos e acelerar respostas em campo, segundo a agência Reuters. 

    A dimensão econômica do risco também preocupa: a Espanha é o maior produtor de carne suína da União Europeia e o terceiro do mundo, ficando atrás apenas de China e Estados Unidos. O

     setor movimenta cerca de € 8,8 bilhões por ano, com a UE absorvendo 60% das exportações e a China figurando como principal compradora fora do bloco. 

    Após a confirmação do surto, a carne produzida num raio de 20 quilômetros deixou de ser exportada para a União Europeia. A princípio, a Espanha chegou a suspender todas as exportações de carne suína para a China, até que o país asiático confirmasse a aplicação do protocolo firmado no início do ano, que restringe a proibição apenas às regiões diretamente afetadas. 

    Vírus resistente e de alto impacto econômico 

    A PSA é uma doença viral que afeta suínos domésticos, asselvajados e javalis. Embora não represente risco à saúde humana, por não ser zoonose, tem potencial de rápida disseminação e efeitos severos para sistemas produtivos.

    A presença de carrapatos do gênero Ornithodoros, que podem atuar como vetores, torna o controle ainda mais desafiador em áreas silvestres. 

    O vírus apresenta elevada resistência ambiental, permanecendo ativo por longos períodos em roupas, calçados, veículos, equipamentos e em produtos suínos sem tratamento térmico adequado.

    A introdução em territórios livres geralmente ocorre pelo contato com objetos contaminados ou pela ingestão de resíduos alimentares contendo carne suína infectada. 

    Brasil permanece livre de PSA há 40 anos 

    O Brasil segue oficialmente livre da peste suína africana desde 1984, status reconhecido internacionalmente e mantido graças a protocolos sanitários rigorosos.

    Segundo o Mapa, a preservação dessa condição depende da atenção permanente à circulação de pessoas, produtos e materiais oriundos de regiões afetadas. 

    A entrada do vírus no país teria impacto expressivo sobre toda a cadeia suinícola, afetando produção, comércio interno e exportações.

    Por isso, o Brasil mantém vigilância reforçada e medidas preventivas atualizadas, consideradas essenciais diante da reintrodução da PSA em um dos maiores produtores globais de carne suína.

    Temas nesta notícia