A próxima grande oportunidade do agro brasileiro, segundo a Bayer
Companhia avalia que o país reúne condições para repetir o protagonismo conquistado com a expansão da soja nas últimas décadas

Fabiano Oliveira, líder do negócio de soja da Bayer diz que Brasil reúne vantagens competitivas para liderar esse movimento, mas precisará continuar investindo em tecnologia e produtividade.
A transição energética e o avanço dos biocombustíveis podem abrir uma nova frente de crescimento para o agronegócio brasileiro. A avaliação é de Fabiano Oliveira, líder do negócio de soja da Bayer.
Segundo o executivo, o país reúne vantagens competitivas para liderar esse movimento, mas precisará continuar investindo em tecnologia e produtividade para transformar o potencial em expansão de mercado.
Durante workshop sobre biotecnologia realizado pela empresa em São Paulo, Oliveira afirmou que o Brasil já demonstrou sua capacidade de atender grandes ciclos de demanda global ao responder por cerca de 60% da expansão da oferta mundial de soja nas últimas duas décadas. Na avaliação dele, o país tem condições de repetir esse protagonismo em um novo ciclo impulsionado pela busca por fontes renováveis de energia.
“Além da alimentação humana, a gente vê toda a questão de mudança climática, a gente vê toda a questão de transição energética. E a pergunta que fica é: qual o país que vai ser o precursor que vai capturar essa oportunidade nos próximos anos? O Brasil largou na frente", afirma.
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A vantagem competitiva brasileira, segundo ele, está ligada à matriz energética mais renovável do que a média global e a décadas de investimentos em biocombustíveis.
“A hora que a gente olha, principalmente, para a transição energética, a gente vê que o Brasil é o país, comparado com o restante do globo, que tem a melhor matriz energética do ponto de vista de energia renovável. Começamos na frente. Mas temos uma grande oportunidade. Esse mercado só está começando.”
Biodiesel pode ampliar demanda por soja
Entre os fatores que sustentam essa perspectiva está a ampliação gradual da participação do biodiesel na matriz energética nacional. De acordo com Oliveira, o avanço da mistura obrigatória ao diesel pode elevar significativamente o consumo de soja destinado à produção de biocombustíveis nos próximos anos.
“A hora que a gente olha, por exemplo, para a Lei do Combustível do Futuro, a hora que a gente olha para o pacto que foi construído lá em Belém, o teor, por exemplo, de biodiesel no diesel só tem de aumentar. Temos um mandato de ampliar os percentuais que podem gerar o incremento de quatro vezes no volume de soja destinado ao biodiesel até 2035.”
Para que esse potencial seja aproveitado, o executivo defende a continuidade dos investimentos em tecnologia e produtividade.
“A principal maneira do Brasil aproveitar essas oportunidades é desenvolver tecnologia. É através de produtividade que vai fazer com que o biocombustível seja um insumo acessível, um insumo competitivo para esse mercado que deve crescer muito nos próximos anos.”
Questionado sobre como enxerga o agronegócio brasileiro na próxima década, Oliveira demonstrou otimismo.
“Eu enxergo com um olhar muito otimista. A gente viu palestras sobre oportunidades, tanto do ponto de vista de alimentação humana quanto do ponto de vista de biocombustíveis. Então a gente vê que o mercado vai demandar cada vez mais.”
Ele acrescentou que o Brasil reúne condições para continuar ampliando sua participação nesse mercado.
“O Brasil está na frente nessa corrida. Espero que o Brasil consiga continuar crescendo em produção e em produtividade para atender a demanda global”, disse Oliveira.
Brasil respondeu por 60% da expansão global da soja
Ao analisar a trajetória recente do setor, Oliveira destacou que o país foi responsável pela maior parte do crescimento da oferta mundial da oleaginosa nas últimas duas décadas.
Há cerca de 20 anos, o mundo produzia aproximadamente 220 milhões de toneladas de soja. Desde então, a demanda global aumentou em cerca de 200 milhões de toneladas, impulsionada principalmente pelo mercado chinês.
“Teve um país que se destacou e forneceu 60% da soja para o mundo nesse período. Se a gente olhar só os últimos 10 anos, a parcela de participação do Brasil foi ainda maior, foi 70%. Ou seja, o Brasil estava preparado nos últimos 20 anos para fornecer a soja que o mundo demandou.”
Segundo ele, a expansão da cultura ajudou a transformar não apenas a produção agrícola, mas também diversos municípios do interior do país.
“A soja tem contribuído para essa melhora da qualidade de vida. Aqui a gente não está falando só de quem trabalha na agricultura. A gente está falando de municípios que têm melhores escolas, têm mais hospitais e mais saneamento básico.”
Soja ainda está longe do teto de produtividade
Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, Oliveira avalia que a cultura ainda tem espaço para novos ganhos expressivos de produtividade.
“Eu não acredito que a gente atingiu o teto. Eu acredito numa evolução constante. Inclusive, a hora que a gente olha a curva histórica, a gente vê que essa curva está cada vez mais inclinada, inclusive pela quantidade de investimentos, principalmente aqui no Brasil.”
Segundo ele, a produtividade continuará sendo a principal demanda dos produtores, mas novas soluções deverão ganhar relevância nos próximos anos.
“A principal característica que o agricultor sempre olha é a questão da produtividade. Então trazer para o mercado materiais adaptados às diferentes realidades do Brasil é fundamental.”
Entre os principais desafios apontados pelo executivo está o manejo de plantas daninhas, especialmente nas condições da agricultura tropical.
Segundo Oliveira, a pressão de plantas daninhas tem aumentado e exigirá ferramentas cada vez mais eficientes para proteger o potencial produtivo das lavouras.
“A gente tem visto uma demanda cada vez maior por manejo de plantas daninhas. A agricultura tropical vê uma quantidade crescente de plantas daninhas, desafio para o agricultor manejar essas plantas. Então ter ferramentas para o agricultor conseguir fazer esse manejo protegendo sua produtividade vai ser fundamental.”
“Então, olhando para os próximos anos, a gente vê que manejo de plantas daninhas vai ser um fator super importante.”
Inteligência artificial entra no radar do agro
Questionado sobre qual inovação pode transformar o agronegócio brasileiro na próxima década, Oliveira afirmou que a combinação entre diferentes tecnologias deve impulsionar uma nova etapa de evolução do setor.
“A hora que a gente pensa em biotecnologia, ela vai continuar sendo um fator super relevante. Investimento em genética, proteger o potencial produtivo através de químicos cada vez mais inovadores, biológicos nesse conceito.”
Na avaliação do executivo, a agricultura digital e a inteligência artificial devem ganhar protagonismo ao conectar diferentes ferramentas utilizadas pelos produtores.
“Talvez com um grande potencial agora que a gente vê também com a digitalização, agricultura digital, inteligência artificial. Acho que tudo isso pode trazer uma forma de unir diferentes ferramentas para o agricultor tomar as melhores decisões e ser mais efetivo.”
Para o executivo, os investimentos realizados hoje serão determinantes para o protagonismo brasileiro nas próximas décadas.
“Hoje a gente está plantando as sementes que vão gerar os frutos nos próximos 10, 20 e 30 anos.”
