Brasil bate recorde de produtores de cachaça em 2025; veja quais estados lideram o ranking
País alcança 1.538 estabelecimentos registrados, maior número da série histórica, aponta Anuário da Cachaça 2026

Entre os municípios, Salinas (MG) recuperou a primeira posição no ranking nacional, com 27 estabelecimentos registrados como elaboradores de cachaça.
O Brasil alcançou em 2025 o maior número de produtores de cachaça da série histórica, com 1.538 estabelecimentos elaboradores registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Minas Gerais lidera o ranking nacional com 564 unidades, o equivalente a 36,7% do total.
Os dados constam no Anuário da Cachaça 2026, elaborado pelo Mapa em parceria com o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac).
Em relação a 2024, foram registrados 272 novos estabelecimentos elaboradores da bebida, crescimento de 21,5% — o maior avanço anual, tanto em números absolutos quanto percentuais, desde o início da série histórica. Entre 2018 e 2025, o número de produtores cresceu 61,7%, passando de 951 para os atuais 1.538.

São Paulo aparece na segunda posição entre os estados com mais estabelecimentos, com 230 unidades, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 106.
O Sudeste concentra 62,5% dos produtores registrados no país, embora todas as regiões tenham apresentado crescimento em 2025. A maior expansão percentual ocorreu na Região Sul, com avanço de 51,4%.
Minas Gerais também concentra o maior número de municípios produtores. Ao todo, 274 cidades mineiras possuem pelo menos um estabelecimento elaborador de cachaça registrado, o equivalente a 32,1% dos municípios do estado.
Mais produtos e marcas
Além do crescimento no número de produtores, o setor também ampliou a oferta de produtos. O Brasil encerrou 2025 com 8.379 cachaças registradas, aumento de 16% em relação ao ano anterior. O número de marcas vinculadas aos registros chegou a 11.131, alta de 16,8%, refletindo a diversificação da produção nacional.
Minas Gerais também lidera nesse indicador, com 2.922 registros de cachaças, o equivalente a 34,9% do total nacional. Já o Rio Grande do Norte apresenta a maior média de produtos registrados por estabelecimento, com 10,8 registros por unidade.
Em relação às marcas, Minas Gerais contabiliza 4.043 registros, enquanto o Rio Grande do Norte possui a maior média, com 13,6 marcas por estabelecimento. Um mesmo registro pode contemplar mais de uma marca comercial.
Salinas recupera liderança nacional
Entre os municípios, Salinas (MG) recuperou a primeira posição no ranking nacional, com 27 estabelecimentos registrados como elaboradores de cachaça.
O levantamento aponta ainda que 11 cidades brasileiras possuem dez ou mais produtores registrados, duas a mais que em 2024. As novidades na lista são Brasília (DF) e São Paulo (SP), ambas com dez estabelecimentos.
Exportações crescem quase 20%
O crescimento também chegou ao mercado externo. Em 2025, as exportações de cachaça atingiram 7,96 milhões de litros, crescimento de 19,4% sobre o ano anterior. Em receita, as vendas externas somaram US$ 17,07 milhões, alta de 17,4%.
Ao todo, a bebida brasileira foi exportada para 76 países, igualando o maior número de destinos da série histórica iniciada em 2011. Os Estados Unidos permaneceram como principal mercado em valor, respondendo por cerca de 24% das exportações, enquanto o Paraguai liderou em volume embarcado.
Produção declarada recua
Nem todos os indicadores avançaram em 2025. Apesar do crescimento no número de estabelecimentos, produtos, marcas e exportações, o volume de produção declarado ao Mapa apresentou queda.
Segundo o anuário, os estabelecimentos informaram produção de 234,48 milhões de litros de cachaça em 2025, redução de 15,77% em relação ao ano anterior. O setor contabilizou ainda 6.232 empregos diretos na atividade de fabricação de aguardente de cana-de-açúcar.
Setor vê espaço para crescer
Embora os indicadores apontem expansão da cadeia produtiva, o Ibrac avalia que a presença da cachaça brasileira no mercado internacional ainda está abaixo do potencial do setor.
“Os dados demonstram a expansão e a resiliência de uma cadeia produtiva presente em todas as regiões do Brasil e formada majoritariamente por pequenos e médios produtores. Ao mesmo tempo, evidenciam que ainda estamos distantes do verdadeiro potencial da Cachaça, especialmente no mercado internacional. Apesar dos avanços registrados, a exportação de Cachaça, por exemplo, continua em um patamar pouco expressivo, especialmente quando consideramos o tamanho do setor e o mercado internacional de destilados. Há ainda muito por fazer para superar os desafios de sua inserção internacional”, destaca Vicente Bastos, presidente do Ibrac.
“Para ampliar essa presença, é fundamental superar desafios estruturais, entre eles a elevada carga tributária incidente sobre a Cachaça e a falta de isonomia tributária no segmento de bebidas alcoólicas, fatores que comprometem a competitividade do setor. Esses resultados reforçam a importância de fortalecer políticas públicas e ampliar as ações de promoção, valorização e proteção da Cachaça, em parceria com instituições públicas e privadas, para que esse patrimônio genuinamente brasileiro ocupe o espaço que merece no Brasil e no mundo”, completa Bastos.
Principais números da cachaça em 2025
- 1.538 estabelecimentos registrados (+21,5%)
- 272 novos estabelecimentos em relação a 2024
- 61,7% de crescimento no número de produtores desde 2018
- 844 municípios com produção registrada
- 564 estabelecimentos em Minas Gerais, líder nacional
- 8.379 cachaças registradas (+16%)
- 11.131 marcas registradas (+16,8%)
- 234,48 milhões de litros de produção declarada (-15,77%)
- 7,96 milhões de litros exportados (+19,4%)
- US$ 17,07 milhões em exportações (+17,4%)
- 76 países importadores
- 6.232 empregos diretos na fabricação de aguardente de cana-de-açúcar
