Além da bolsa de Chicago: gestão de riscos, por Roberta Paffaro
Especialista aponta que alta em Chicago não garante ganhos no Brasil e defende planejamento financeiro e uso de mercado futuro para proteger margens no agro


O tema é a instabilidade, a insegurança, a incerteza, e eu conversei com a especialista brasileira, com uma larga experiência nos Estados Unidos, foi por muitos anos representante aqui no Brasil da Bolsa de Chicago, Roberta Paffaro, eu perguntei em sua visão como ficam os grãos, os preços, as commodities e ela me respondeu:
“Essa é uma pergunta que vale milhões, mas hoje nós vemos muita instabilidade, custos aumentando, e isso, com certeza, vai ser repassado, mas não na maneira que gostaríamos. Então vemos os preços subindo em Chicago, mas temos de pensar aqui, a base de precificação no Brasil é em reais, então, ela tem o desconto ou o acréscimo dependendo da região, então logística tem um peso muito grande. Vamos pensar nesse tripé, no real, temos de transforma em reais essa cotação de Chicago e também temos de descontar a região, a logística, até chegar ao porto, por exemplo. Então mesmo que vejamos os preços subindo lá em Chicago da soja, por exemplo, nós temos que entender que trazer esse preço Brasil para região em que estamos, então Mato Grosso, ou Goiás, vai variar muito. Então pode ser que tenhamos, sim, um aumento nos preços. Nós temos janelas de oportunidades onde é importante fazer uma gestão de riscos, ter uma estratégia financeira em que você pode realmente utilizar o mercado futuro para fazer uma trava de preços e aproveitar essa janela de oportunidades. Então o momento é de planejamento financeiro e também um planejamento com o mercado futuro, com estratégias para aproveitar esses preços”.
Então a questionei Roberta se não é porque sobe lá o valor da soja, do milho, dos grãos em Chicago que automaticamente se possa pensar que isso vai beneficiar o produtor que vai vender aqui no Brasil, não é uma conta direta, e ela me disse: