Instituto Agronômico lança variedade inédita de feijão no Brasil

A nova cultivar, de tegumento branco e grão pequeno, atrai o interesse de empresas para a fabricação da farinha de feijão-branco, comercializada no Brasil e no exterior

Por
Instituto Agronômico lança variedade inédita de feijão no Brasil
11deJaneirode2022ás16:06

Instituto Agronômico (IAC), em Campinas, lançou recentemente seis cultivares de feijão, uma delas, IAC 2154, é inédita no Brasil. Os grãos são destinados aos mercados interno e externo. Desde a década de 1970, o IAC da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo desenvolveu 52 novas variedades dos tipos carioca, preto, rajado, vermelho, entre outras. 

Das seis cultivares, duas apresentam tegumento branco, uma rajado arredondado e três coloração vermelha. A IAC 2154, de tegumento branco e com grãos pequenos, já atrai o interesse de algumas empresas para a fabricação de farinha de feijão-branco, utilizada nas culinárias americana e nacional.

“O grão de tegumento branco é conhecido no mercado internacional como feijão Navy Beans. A denominação se deve ao fato de ser muito utilizado pela marinha americana, na forma de feijão enlatado, para a alimentação de soldados. Os ingleses também consomem a leguminosa na forma de molho, durante o café da manhã”, explica Alisson Fernando Chiorato, pesquisador do IAC.

Outra cultivar de feijão branco e com poucas estrias é a IAC 2157. Os grãos são bem pesados e em formato alongado e tubular, características que a qualificam para o mercado internacional. É conhecida como Alúbia, muito cultivada na Argentina. "O IAC trabalha há anos no desenvolvimento de uma cultivar de tegumento Alúbia. Tivemos êxito com a cultivar IAC 2157, que tem ciclo precoce e é muito produtiva", resume Sérgio Augusto Morais Carbonell, pesquisador do IAC.

Com coloração vermelha, a IAC 2152 tem alto potencial produtivo. O grão é pequeno, semelhante ao feijão carioca, comum no Brasil. Conhecida no mercado internacional como “small red”, a leguminosa poderá ser exportada, mas sua principal destinação é o mercado interno.

Outra leguminosa de coloração vermelha é a IAC 2155. O grão, conhecido como bolinha vermelha, é muito apreciado em Santa Catarina e Minas Gerais. Outra a IAC 2156 é encontrada em países europeus, porém, grande parte de todo o feijão exportado pelo Brasil referente a esse tipo de grão é proveniente de cultivares crioulas, adquiridas de outros países, sem registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), segundo o IAC.

Com tegumento rajado arredondado tipo cranberry, a IAC 2153 é voltada principalmente para a exportação por ser muito apreciada na Europa. Ela apresenta alta produtividade, grãos pesados e calibre que corresponde a 170 grãos em uma amostra de 100 gramas, conforme Alisson Fernando Chiorato. Foi desenvolvida para substituir a cultivar IAC Nuance, lançada em 2015, a primeira cultivar de tegumento rajado tipo cranberry desenvolvida no Brasil.

Números

No prato do brasileiro não pode faltar arroz com feijão, o tipo carioca é o preferido e representa 66% do consumo nacional. Conforme o Instituto Agronômico, de 1974 a 2020, a produtividade saltou de 400 quilos por hectare para 1.130 quilos por hectare, ou seja, quase triplicou, em razão das pesquisas desenvolvidas por especialistas do setor.

Com o clima favorável na maioria das regiões produtoras de grãos no país, a safra nacional pode chegar a 291,1 milhões de toneladas na temporada 2021/22, como revela levantamento divulgado em dezembro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Caso se confirme a previsão, o volume a ser colhido será superior em 38,3 milhões de toneladas, se comparado com o ciclo anterior, o que representa um incremento de 15,1%.

 

Para o feijão, a Conab espera um aumento na produção impulsionada pela melhora na produtividade das lavouras. Mesmo com a expectativa de menor área semeada, somando-se as três safras, os produtores da leguminosa deverão colher 3,1 milhões de toneladas.

Cargando...