Brasil pode liderar exportação de hidrogênio verde no mundo

Aposta mundial para uma economia de baixo carbono, o combustível é opção para produção de energia limpa e sustentável

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Brasil pode liderar exportação de hidrogênio verde no mundo
24deJaneirode2022ás18:15

O hidrogênio verde é apontado pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) como uma das fontes de energia com maior potencial de inovação. O uso é parte da estratégia energética de ao menos 33 países, de acordo com o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês). Com o objetivo de tornar esse mercado viável, empresas estrangeiras têm intensificado parcerias no Brasil, de olho no alto potencial nacional dos setores eólico e solar.

O hidrogênio é um combustível obtido por meio da eletrólise, processo químico em que uma corrente elétrica separa o hidrogênio do oxigênio que existe na água. O gás é chamado hidrogênio verde quando a eletricidade vem de fontes renováveis. Uma das grandes vantagens do hidrogênio é ser considerado um vetor de energia, ou seja, ele permite o armazenamento de energia para ser usada em outros setores, o que favorece a integração.

Nos transportes leves, o hidrogênio é uma opção sustentável para o processo de eletrificação de veículos. Ao ser queimado, ele não produz CO2 (dióxido de carbono), um dos gases responsáveis por intensificar o aquecimento global. O hidrogênio também é uma alternativa para setores de difícil abatimento de emissões de carbono.  

Estudo do Hydrogen Council publicado em fevereiro mostra que até 2050, 18% da demanda de energia global será de hidrogênio. Nesse patamar, haveria uma redução das emissões anuais de CO2 em cerca de 6 Gt (gigatoneladas) em comparação com as tecnologias atuais, segundo o documento elaborado pela iniciativa lançada no Fórum Econômico Mundial.

Brasil pode ser hub do hidrogênio verde

Puxados pelo interesse de instituições estrangeiras, projetos para viabilizar a produção comercial do hidrogênio verde no Brasil já superam US$ 20 bilhões, com foco majoritário na exportação. Hoje, as principais iniciativas se concentram no Porto do Pecém, no Ceará; no Porto do Açu, no Rio de Janeiro; e no Porto de Suape, em Pernambuco.  

No Ceará, ao menos nove empresas, incluindo as australianas Energix Energy e  Fortescue, a francesa Qair, a White Martins e a Neoenergia, assinaram entre fevereiro e setembro memorandos de entendimento para produção do combustível sustentável. Em setembro, a multinacional portuguesa EDP anunciou a primeira usina de H2V (hidrogênio verde) do estado, que deve iniciar operação em 2022.

Se metade do potencial das energias solar e eólica — as duas fontes renováveis que mais crescem no Brasil — forem destinadas ao H2V, o Ceará poderá produzir cerca de 20 milhões de toneladas do combustível verde, o que representa 13% do mercado global estimado para 2050, de acordo com dados da FIEC (Federação das Indústrias do Estado do Ceará). A estimativa é feita com base em números da Agência Internacional de Energia e perspectivas dos setores de energia, explica Jurandir Picanço, do núcleo de energia da FIEC.

"O que tem hoje de concreto é o interesse de empresas do mundo em desenvolver projetos no Ceará. O mercado de hidrogênio verde vai surgir e há uma expectativa de que condições no Brasil, em particular no Nordeste, sejam excelentes para esse propósito. Vai ser uma disputa mundial porque inúmeros países estão desenvolvendo seus projetos. O Brasil já é visto como sendo um importante player desse mercado", afirma o especialista.

A FIEC faz parte de um Grupo de Trabalho criado para desenvolver políticas públicas de energias renováveis para a configuração do HUB de H2V no Ceará. Um dos pontos fortes do estado é a estrutura do Porto de Pecém, empresa de economia mista controlada pelo governo do Ceará e pelo Porto de Rotterdam, que quer se transformar em importador de hidrogênio na Europa. O empreendimento brasileiro é composto por uma área industrial, o porto e uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE). 

Energia eólica

A energia eólica é outra opção para geração de energia limpa e renovável. Assim como o hidrogênio verde, o mercado para produção do insumo segue aquecido. Recentemente, a Statkraft, empresa global de energia, anunciou que começará a construção do projeto eólico Morro do Cruzeiro na Bahia, região Nordeste. A ação ocorre após fechamento do contrato com a fabricante alemã de turbinas eólicas Nordex.

O complexo será composto por dois projetos eólicos, com 14 turbinas e capacidade instalada de 79,8 MW (megawatt).  Dadas as excelentes condições de vento na região, o complexo vai gerar 386 GWh (Gigawatt-hora) de energia renovável por ano, o suficiente para abastecer mais de 190 mil residências.  

*Com informações da Agência de Notícias da Indústria

Imagen. Credito: Agência de Notícias da Indústria

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