Tecnologia emite alertas do avanço de doenças do algodão e da soja

Agricultura 4.0: ferrugem asiática e mancha de ramulária são monitoradas por aplicativo e pela web no Oeste baiano

Por
Tecnologia emite alertas do avanço de doenças do algodão e da soja
10deFevereirode2022ás13:48

A Embrapa e a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) desenvolveram o Monitora Oeste, um sistema digital que envia ao celular alertas sobre o avanço de doenças como a ferrugem asiática e a mancha de ramulária, que atacam lavouras de algodão e soja, nas propriedades rurais do Oeste baiano.

Agressivas, as enfermidades impactam as produtividades das lavouras, provocam perdas estimadas em 30%, na cotonicultura, e de até 80%, na sojicultura. Desenvolvida ao longo de dois anos, a tecnologia está disponível gratuitamente para celulares (Android e IOS) e na plataforma web. Ao cadastrar-se, o usuário receberá informações sobre os focos e as condições climáticas favoráveis para a proliferação das doenças e dispersão dos esporos na região.

O aplicativo tem sete funcionalidades: ocorrências e alertas; gráfico de ocorrências; mapa de ocorrências; armadilhas; mapa de armadilhas; favorabilidade e agrometeorologia. A tecnologia possibilita a aplicação de filtros, como espécie (doença), municípios, núcleos regionais e safra. A versão para web traz mais recursos, como o tipo de área em que a ocorrência foi registrada, a sobreposição de camadas e a geração e exportação de mapas em alta resolução.

Para Julio Bogiani, pesquisador da Embrapa Territorial que lidera a equipe que desenvolveu a tecnologia, o Monitora Oeste permitirá elevar a eficiência de controle das doenças, com a possibilidade de redução de custos e de impacto ambiental pelo menor número de aplicações de defensivos agrícolas. Explica que, atualmente, as aplicações dos fungicidas são calendarizadas. Em cada safra, são realizadas de oito a dez aplicações, com intervalos de 15 dias, período de duração residual do fungicida. “O sistema oferece aos produtores as melhores condições para a tomada de decisão de abrir mão ou de utilizar os defensivos agrícolas na época certa e na dose correta. Com o direcionamento dos seus gastos, eles alcançarão uma economia muito boa”, afirma o cientista.

A Abapa levará a tecnologia aos seus associados. Na visão de Luiz Carlos Bergamaschi, presidente da associação, o Monitora Oeste possui os elementos necessários para o incremento da produtividade do agricultor baiano. “Ter a informação precisa e atualizada permite traçar estratégias mais eficazes de controle, com sustentabilidade. Isso traz maior rentabilidade e se alinha à nossa busca diária por sustentabilidade econômica, ambiental e social”, diz.

Alertas

Os alertas emitidos pelo Monitora Oeste estão organizados em três níveis: ocorrências de doenças, condições climáticas favoráveis para as ocorrências e condições climáticas favoráveis para a dispersão de esporos no ar.

O primeiro nível mostra onde foram identificadas plantas infectadas. Os dados são expressos em mapas e gráficos. O levantamento das informações em campo segue o método tradicional de observação, com o monitoramento realizado por uma rede de colaboradores atuante na região. As equipes são formadas por produtores locais, técnicos da Abapa, da Embrapa e de parceiros, que percorrem as lavouras e verificam se há a presença de doenças nas plantas.

Os núcleos regionais foram criados pela Abapa em seu programa fitossanitário. São zonas produtivas delimitadas com o intuito de facilitar o trabalho de monitoramento das lavouras, tendo em vista a vasta extensão dos municípios do Oeste baiano. Cada um dos 16 núcleos possui uma equipe que percorre as propriedades. Ao identificar focos das doenças, eles fazem o registro e lançam no sistema, chegando ao celular do usuário instantaneamente.

“O produtor precisa ser informado acerca dos problemas que ocorrem nas suas propriedades, em tempo hábil, seja no caso de ocorrência de pragas, doenças ou incidência de plantas daninhas resistentes aos herbicidas, entre outros eventos percebidos na lavoura”, assegura Antônio Carlos, responsável pelo programa fitossanitário da Abapa.

Como observa Julio Bogiani da Embrapa, um número significativo de notificações de ocorrências nas proximidades das plantações são sinais da iminência de um enfrentamento. Com as informações, os agricultores do núcleo regional podem planejar ações sincronizadas de defesa.

Outro nível de alerta aponta se as condições climáticas estão favoráveis para o surgimento e o desenvolvimento das doenças. O filtro “favorabilidade” mostra sobre o mapa se existe alto ou baixo risco de proliferação dos agentes causadores da mancha de ramulária e da ferrugem asiática pelas plantações de acordo com as condições do clima. Para esse nível de alerta, o app usa o banco de dados das estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com atualização diária e em tempo real.

O fitopatologista da Embrapa Algodão Fabiano Perina explica que há dois fatores ambientais relevantes para a infecção dos fungos: umidade e molhamento das folhas. Para os esporos dispersarem pela região o clima deve estar seco. O fitopatologista esclarece que essas condições climáticas são encontradas no Cerrado baiano, com dias mais secos e noites úmidas. “O sistema reúne dados da presença de esporos na região a partir de 44 armadilhas georreferenciadas, distribuídas pelos núcleos regionais. Quanto mais pontos de coletas, maior a precisão das informações, explica Perina.

Índices agrometeorológicos

O Monitora Oeste traz vários índices agrometeorológicos da região: albedo, biomassa, NDVI, evapotranspiração e produtividade da água. O produtor poderá fazer cruzamentos de camadas para obter informações estratégicas de seu talhão. Essas buscas podem ser salvas na ferramenta, gerar um banco de dados capaz de revelar a dinâmica temporal da produtividade do terreno ao longo das safras. “São funcionalidades que terão uma rica informação agregada futuramente”, acredita Bogiani. O sistema poderá incluir dados complementares, como vazio sanitário da cultura, dados do consórcio de ferrugem, eficiência de fungicidas, entre outros.

Além da Abapa e da Embrapa, a rede de colaboradores é formada por profissionais da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), da Fundação Bahia, da Associação de Agricultores Irrigantes da Bahia (Aiba) e de algumas consultorias. A cada ano, a equipe receberá capacitações pela Embrapa no uso do sistema.

*Com informações e fotos da Embrapa

Cargando...