Clima favorece cultivos de verão na região Centro-Norte

Conab e Esalq apresentam estudos que discorrem sobre o impacto do clima nas principais culturas do país

Por
Clima favorece cultivos de verão na região Centro-Norte
17deFevereirode2022ás20:08

Nas primeiras semanas deste ano, o clima favoreceu os cultivos no Centro-Norte brasileiro. O desenvolvimento dos cultivos de verão em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Pará, Rondônia e na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) foi beneficiado por bons volumes pluviais. A análise faz parte da edição de janeiro do Boletim de Monitoramento Agrícola, Cultivos de Verão (Safra 2021/2022), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Contudo, a publicação esclarece que em algumas localidades desses estados, o excesso de precipitação causou danos por inundação, excesso de umidade do solo, falta de luminosidade e dificuldade na realização de tratos culturais. 

Menores volumes pluviais

Segundo a Conab foram observadas precipitações irregulares e de baixo volume que persistiram no Sudoeste do Mato Grosso do Sul, Oeste de São Paulo e nos estados da região Sul. A restrição hídrica e as altas temperaturas prejudicam o desenvolvimento dos cultivos de verão na metade Oeste do Paraná, no Oeste de Santa Catarina e no Noroeste e Centro do Rio Grande do Sul. 

De acordo com o Boletim, as chuvas, ocorridas no período de 15 a 21 de janeiro, amenizaram a extensão das áreas sob restrição, mas permanece a condição de atenção principalmente nas lavouras em estágios reprodutivos.

O Boletim de Monitoramento Agrícola é resultado da colaboração entre a Conab, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (GLAM) e agentes colaboradores que contribuem com dados pesquisados em campo. Está disponível em: https://www.conab.gov.br/info-agro/safras/graos/monitoramento-agricola.

Influência do clima em colheitas

Conforme a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em janeiro, a semeadura da soja foi concluída em quase todo o país. Pequenas áreas no Maranhão e no Rio Grande do Sul estão na fase de semeadura. No Mato Grosso, mais de 15% das lavouras foram colhidas. Em Goiás, na última semana de janeiro, a colheita começou em algumas áreas. No Centro-Sul do Mato Grosso do Sul, a falta de chuvas persiste, o que reduz as expectativas de produtividade. 

Em relação ao milho, cerca de 90% da primeira safra foi semeada até o fim de janeiro. As condições meteorológicas contribuíram para o avanço da semeadura no Matopiba e beneficiaram a maioria das lavouras em desenvolvimento. No Piauí e na Bahia mais de 95% das lavouras foram semeadas e no Maranhão cerca de 80%. Perdas por encharcamento foram registradas em áreas pontuais da Bahia.

A falta de chuva e as elevadas temperaturas prejudicaram o potencial produtivo das lavouras de milho da Região Sul. Além do estresse hídrico, as condições meteorológicas dificultam a aplicação de fertilizantes e o manejo fitossanitário das lavouras. Cerca de um quarto da área semeada do Rio Grande do Sul teve o ciclo da cultura adiantado pelo estresse hídrico, fazendo com que a colheita também fosse antecipada. Em Goiás e em Minas Gerais, as condições meteorológicas foram favoráveis e as lavouras estão em boas condições. 

A Esalq informa que o tempo quente e seco de janeiro comprometeu o desenvolvimento das lavouras de arroz do Rio Grande do Sul. Os produtores sulistas seguem preocupados com o baixo volume de chuvas, insuficiente para reabastecer os reservatórios que operam em níveis críticos, limitando as operações de irrigação, especialmente nas Regiões Central, Noroeste e Sudoeste do Estado. No Mato Grosso, a semeadura do grão foi finalizada e as lavouras estão em boas condições de desenvolvimento. No Tocantins também foi concluída e as condições meteorológicas possibilitaram o início da colheita em janeiro. Em Goiás, a semeadura ficou estagnada, mas a colheita foi iniciada.

Mais de 70% das áreas destinadas ao cultivo de feijão no Paraná já foram em janeiro. A Escola Superior de Agricultura adianta que as lavouras paranaenses de sequeiro sofreram as consequências do déficit hídrico. Foi confirmado rendimento abaixo do esperado. Ao contrário da Região Sul, o excesso de chuva é um problema em muitas áreas da Bahia, o que atrasa o término da semeadura e prejudica o desenvolvimento de algumas lavouras.  Ataques pontuais de mosca branca foram reportados. Em Goiás, apesar das chuvas, a colheita avança, sobretudo na região Leste. Em Minas Gerais, as operações de colheita estão concentradas nas regiões Noroeste e no Alto Parnaíba. 

A Esalq acrescenta que mais de 60% do algodão brasileiro foi semeado até o fim de janeiro. No Mato Grosso, a semeadura da primeira safra foi concluída e a da segunda alcançou mais de 50% da área prevista. A implantação da primeira safra de algodão em Goiás foi concluída e a semeadura da segunda já começou. No Mato Grosso do Sul, a semeadura do algodão se aproxima do fim e as lavouras do Sul do estado também sofrem com a escassez hídrica. A semeadura da cultura avançou no Matopiba, com cerca de 85% das áreas produtoras semeadas no Maranhão e cerca de 100% no Piauí. Na Bahia, as operações de cotonicultura devem permanecer paralisadas até o início da colheita da soja precoce em fevereiro.

Cargando...