Projeção da safra brasileira de grãos cai, mas ainda é maior que a temporada 2020/2021

A Conab revisou seus números e o país deve colher 268,2 milhões de toneladas, número menor que a estimativa inicial.

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Projeção da safra brasileira de grãos cai, mas ainda é maior que a temporada 2020/2021
21deFevereirode2022ás20:36

O que era para ser um ano bom, em termos de clima, acabou não se concretizando. Do final de 2021 para cá, o clima deu uma reviravolta por todo o país. Os principais efeitos foram seca e altas temperaturas na porção Sul do Brasil e muita chuva no Norte. A consequência não foi outra senão um abalo à produção nacional.

O prognóstico que era de uma colheita de 284,4 milhões de toneladas, agora é de 268,2 milhões, segundo o 5º levantamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A queda foi de 5,7% de uma estimativa para a outra. Em termos absolutos, são 16,2 milhões de toneladas de grãos a menos.

A boa notícia é que, por enquanto, os números ainda são melhores em comparação ao resultado da safra 2020/2021, na qual foram colhidos 255,4 milhões de toneladas. Se analisássemos esse número, a previsão é de uma colheita 5% maior, com 12,8 milhões de toneladas de grãos a mais.

Soja

A rainha dos campos brasileiros, a soja, foi a lavoura que mais sentiu o impacto climático. A estimativa que era de uma safra robusta e recorde de 140,5 milhões de toneladas, sofreu uma queda de 10,7% (15 milhões de toneladas a menos) e agora é estimada em 125,5 milhões de toneladas. O baque pode ser grande, pois o resultado é 9,2% menor que o da safra passada, quando foram colhidas 138,2 milhões de toneladas.

Para o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês), o Brasil sofre uma queda na produção, sim, mas com um prognóstico mais positivo, colhendo 134 milhões de toneladas, o que poderia representar uma queda de 2,9% ante a temporada de 2020/2021.

Mesmo assim, a safra brasileira da oleaginosa mantém seu status de ser a maior do mundo, respondendo por 36,8% das 363,86 milhões de toneladas que devem ser colhidas mundialmente, segundo o USDA. Logo atrás vem os Estados Unidos, com 33,2% (120,71 milhões de toneladas) e a Argentina, com 12,4% (45 milhões de toneladas).

Preços históricos

Se por um lado, a produção cai, por outro, o grão se torna um item de maior valor no mercado de commodities do mundo. Só para se ter uma ideia, no dia 7 de fevereiro, o Indicador da soja Esalq/BM&FBovespa chegou à marca histórica de preço: R$ 197,85 por saca de 60 quilos. É o maior valor já registrado em quase 16 anos de existência desse indicador.

A escalada de preços do grão não é de agora. No início de fevereiro do ano passado, a soja ganhou novos patamares de preços. Naquela época, a saca era cotada em média a R$ 85 e atingiu o recorde anterior, no dia 12 de maio de 2021, por R$ 182,97 a saca.

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