Caravana Embrapa irá a 30 polos mostrar como aumentar a eficiência dos fertilizantes

A iniciativa integra ação nacional para reduzir a dependência da importação de fertilizantes pelo Brasil

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Caravana Embrapa irá a 30 polos mostrar como aumentar a eficiência dos fertilizantes
08deMarçode2022ás20:34

A partir de abril, pesquisadores e técnicos da Embrapa começarão a visitar cerca de 30 polos produtivos de nove macrorregiões agrícolas do Brasil, com o objetivo de promover o aumento da eficiência de uso dos fertilizantes e insumos no campo, diminuir custos de produção dos agricultores e estimular a adoção de novas tecnologias e de boas práticas de manejo de solo, água e plantas.

A ação vai se chamar Caravana Embrapa FertBrasil e integra as medidas de curto e médio prazo do Plano Nacional de Fertilizantes, que será lançado pelo Governo Federal nas próximas semanas, para reduzir a dependência externa por importação de produtos e tecnologias, situação agravada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia.

"Nosso objetivo é sensibilizar as lideranças ligadas às cadeias produtivas da agropecuária, além de técnicos, consultores e multiplicadores, para que o Brasil possa superar a crise dos fertilizantes por meio de capacitação e troca de conhecimentos sistematizados entre os institutos de pesquisa e o setor produtivo para estabelecer um diálogo da pesquisa com o agronegócio no Brasil e propor soluções tecnológicas para cada um desses 30 polos agrícolas", explicou Celso Moretti, presidente da Embrapa.

Segundo ele, a caravana itinerante abordará questões práticas e de impacto imediato, que ao serem adotadas poderão, junto com outras iniciativas do Plano Nacional, promover uma economia de até 20% no uso dos fertilizantes no Brasil, já na safra 2022/23, o que poderá resultar em até um bilhão de dólares de economia para o produtor rural brasileiro.

Até o fim da safra 2022-2023, os pesquisadores percorrerão as principais regiões produtoras brasileiras, enfatizando a importância do manejo sustentável dos solos e fertilizantes para maximizar a eficiência de uso desses insumos, melhorar a produtividade e garantir a competitividade da agricultura e a produção de alimentos no Brasil.

Aprendemos na agronomia que é preciso fazer a aplicação de adubo de acordo com a análise de fertilidade do solo e análise da folha da planta. Sabemos que em muitos lugares do Brasil, é utilizando uma receita pronta, um pacote tecnológico genérico. Por exemplo, 500 kg/ha fertilizante NPK [nitrogênio, fósforo e potássio] independentemente da fertilidade do solo ali presente, mas de acordo com o preço do fertilizante", destacou Moretti.

“A caravana nos trará um diagnóstico preciso e regionalizado dos reais desafios de curto prazo dos produtores rurais, para que as ações do Plano Nacional de Fertilizantes sejam cada vez mais aprimoradas, pois o Plano foi construído pelo governo e o setor produtivo”, ressalta Bruno Caligaris, diretor de Projetos Estratégicos da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE-PR).

As atividades presenciais serão voltadas para técnicos de extensão rural, técnicos de cooperativas, sindicatos e associações rurais e produtores líderes. A ação visa a atingir cerca de 10 mil profissionais para se tornarem multiplicadores das técnicas e orientações repassadas pela equipe de pesquisadores e analistas da Embrapa e parceiros que integrarão cada Caravana.

Após cada passagem da Caravana Embrapa em uma macro região agrícola, a Embrapa modulará digitalmente o conhecimento sistematizado para alimentar um hotsite e contribuir para construção de uma ampla plataforma digital de conhecimento sobre o tema, que poderá ser ofertado à multiplicadores de referência, tais como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil/Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (CNA/SENAR), as Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATERs) e cooperativas agroindustriais.

Essa modelagem da Caravana Embrapa FertBrasil deverá possibilitar capacitações presenciais durante a sua passagem pelas diversas regiões produtoras pelo Brasil. Estão sendo programadas também capacitações virtuais, pós-caravana, a produtores, lideranças rurais e técnicos, utilizando o sistema e-Campo da Embrapa ou outras ferramentas de treinamento disponíveis. A empresa busca patrocinadores da Caravana junto à iniciativa privada e ao setor produtivo. Interessados em participar da iniciativa podem entrar em contato no e-mail: depd@embrapa.br.

Esta será a segunda caravana itinerante realizada pela Embrapa. Entre 2013 e 2015, a empresa percorreu também os principais polos produtivos do país para divulgar soluções tecnológicas para controlar a lagarta Helicoverpa armigera, praga exótica que invadiu o território brasileiro causando fortes prejuízos para as principais culturas agrícolas.

Cinco frentes de pesquisa

A Embrapa e instituições parceiras também tem outras ações em sua programação de pesquisa para ajudar diminuir a dependência brasileira de fertilizantes importados. "Nossa meta é reduzir em 25% a demanda por fertilizantes importados até 2030. O Brasil não tem uma vara de condão para mudar isso do dia para a noite”, afirmou o presidente da Embrapa. Por isso, segundo ele, a empresa priorizou cinco frentes de pesquisas: biofertilizantes, organominerais, fertilizantes nanoestruturados, agricultura de precisão e condicionadores de solo com pó de rocha.

Além da iniciativa em parceria com a Embrapa, o Governo Federal, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e SAE-PR, desenvolve estratégias de fomento e financiamento para aumento da produção de bioinsumos, fertilizantes organominerais, nanotecnologia e agricultura digital no âmbito do Plano Nacional de Fertilizantes. “A agricultura brasileira é forte, continuará forte, e temos que dar as alternativas para ela continuar trabalhando”, ressaltou a ministra Tereza Cristina em conversa com jornalistas na semana passada.

O Brasil, atualmente, consome cerca de 8,5% dos fertilizantes a nível global, ocupando a quarta posição. China, Índia e Estados Unidos aparecem no topo da lista de consumo. Esses países, ainda, são grandes produtores mundiais de fertilizantes, à exceção do Brasil, que importou em 2021 cerca de 89% das 43 milhões de toneladas consumidas na produção agrícola.

No país, as culturas de soja, milho e cana-de-açúcar respondem por mais de 73% do consumo de fertilizantes. A Rússia é responsável por fornecer 25% dos fertilizantes para o Brasil. Junto com a Bielorrússia, chega a fornecer mais de 50% do potássio consumido pelo agricultor brasileiro anualmente.

Com informações da Embrapa

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