Venda interna de óleo de soja deve retroceder a nível de 2019

Apesar da previsão, Brasil colheu a maior safra da história no ano passado

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Venda interna de óleo de soja deve retroceder a nível de 2019
28deMarçode2022ás17:13

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) prevê que em 2022, a venda doméstica de óleo de soja atingirá 7,9 milhões de toneladas, uma queda de 1,48% em relação aos 8,017 milhões de toneladas do ano passado.

volume previsto para 2022 foi registrado em 2019, em função da manutenção da mistura do biodiesel ao diesel fóssil em 10% (B10) ao longo daquele ano. As projeções foram divulgadas hoje (28).

A entidade projeta estoque de passagem recorde para 2023, em mais de 600 mil toneladas de oléo de soja, devido principalmente ao menor consumo doméstico. A exportação e a produção seguem sem mudanças sobre as estimativas anteriores em, respectivamente, 1,7 milhões de toneladas e 9,7 milhões de toneladas. 

Com base nas avaliações da inteligência de mercado de suas associadas, a ABIOVE reduziu a projeção da safra 2022 do grãopara 125,3 milhões de toneladas, incorporando as perdas decorrentes dos problemas climáticos que afetaram algumas regiões do país.

Conforme a Associação, apesar da menor safra, o processamento estimado segue inalterado em 48 milhões de toneladas, em razão das boas expectativas para a exportação do farelo e do óleo de soja, bem como para o consumo interno de farelo.

“Em janeiro de 2022, o setor processou 2,6 milhões de toneladas, para uma amostra que historicamente representa 83,5% do esmagamento nacional. Corrigindo esta quantidade para contemplar toda a cadeia nacional de soja, o resultado indica um crescimento de 19,7% sobre janeiro de 2021, atingindo 3,1 milhões de toneladas”, afirmou a ABIOVE em comunicado à imprensa.

Safra 2021 

A Abiove concluiu as estatísticas de 2021 do complexo soja, confirmou que, no ano passado, o Brasil colheu a maior safra da sua história, 138,9 milhões de toneladas, que resultou em recordes de 86,1 milhões de toneladas exportadas e em 47,8 milhões de toneladas processadas

“Este esmagamento, 2% superior a 2020, refletiu em produção e venda recordes do farelo de soja. A quantidade produzida alcançou 36,8 milhões de toneladas, das quais 52% foram destinados ao abastecimento do mercado nacional, 19,2 milhões de toneladas, e 17,2 milhões à exportação, além da formação de estoque”, apontou a entidade. 

No caso do óleo de soja, o destaque coube à exportação. Ela desempenhou papel fundamental para absorver parte do óleo inicialmente destinado à produção de biodiesel.

“A redução da mistura obrigatória do biodiesel ao diesel fóssil pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), contrária ao legalmente previsto para o ano, frustrou a demanda doméstica pelo óleo de soja, hoje a principal matéria-prima do renovável. Como resultado, enquanto o consumo interno de óleo caiu 6% sobre 2020, a exportação cresceu quase 50% no período”, disse. 

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