Desafios do agro globalizado

Todos os países que abriram suas economias elevaram notoriamente a produtividade. Por Xico Graziano

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Desafios do agro globalizado
04deAbrilde2022ás15:07

A guerra da Rússia contra a Ucrânia elevou a insegurança alimentar no mundo. E o Brasil reforçou sua posição, comprada, no mercado agrícola global.

Nesses dias, o Ministério da Agricultura anunciou a abertura de dois distintos mercados para o Canadá, para carnes bovina e suína. Orgulhosa, a ministra Tereza Cristina alardeia que, desde 2019, o governo brasileiro abriu 200 novos mercados, em 51 países, para produtos agropecuários. É realmente sensacional.

Trata-se de um trabalho que envolve negociações bilaterais, ou seja, um acordo entre dois países apenas. Nelas se determinam os parâmetros de sanidade e, consequentemente, as certificações agronômicas ou veterinárias exigidas conforme cada caso.

Abrir mercados agropecuários no exterior significa aprimorar internamente a produção rural e o processo de comercialização. Isso é muito positivo. As exigências de qualidade são crescentes mundo afora, puxando a qualidade junto com a tecnologia. Certificação se torna a palavra-chave.

Todos os países que abriram suas economias elevaram notoriamente a produtividade de sua economia, mormente naqueles setores mais conectados com o exterior. Coreia e Vietnã são casos conhecidos desse fenômeno econômico.

Vale para produtos tradicionais, expoentes de mercado (soja, milho, café, açúcar, carnes, frutas, algodão), vale para gêneros alimentares ainda de pequeno destaque, como sementes de hortaliças, pipoca, carne de rã ou aparas de pele para gelatinas.

Toda vez que o estímulo de comércio vem do exterior, face às regras do mercado internacional, que envolvem qualidade e sustentabilidade, move-se para cima o nível tecnológico da produção local. Aprimora toda a cadeia produtiva.

As incertezas trazidas pela terrível pandemia de Covid-19, agora reforçadas pela estúpida guerra, elevaram o preço internacional das commodities e dos insumos agropecuários. Um cenário complicado, mas que se mostrou favorável ao Brasil, ampliando suas vendas de alimentos ao exterior e estimulando os produtores rurais.

Ao lado das vantagens, porém, surgem enormes desafios para manter a competitividade agrícola do país frente à tremenda elevação de custos, a começar dos fertilizantes. Os mercados estão compradores. Mas investimentos precisam ser pagos.

Muita dedicação, competência e resiliência serão exigidos dos agricultores brasileiros. Vamos encarar.

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