SP entra em alerta e lança plano para erradicar praga que ameaça soja, milho e algodão

    Medida define protocolos de contenção após identificação de foco no interior paulista

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    SP entra em alerta e lança plano para erradicar praga que ameaça soja, milho e algodão
    23deFevereirode2026ás16:54

    O Governo de São Paulo lançou um plano de erradicação do caruru-gigante (Amaranthus palmeri) após a confirmação de um foco da praga no interior do estado.

    Considerada uma das plantas invasoras mais agressivas do mundo, a espécie ameaça culturas como soja, milho e algodão e já mobiliza ações de contenção e monitoramento.

    A planta voltou ao radar das autoridades fitossanitárias há duas semanas, quando o Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou sua presença na regional de São José do Rio Preto (SP).

    Diante do avanço da praga, o Governo de São Paulo instituiu o Plano Estadual de Prevenção, Controle e Erradicação do caruru-gigante (Amaranthus palmeri), espécie invasora com alto potencial de disseminação e impacto econômico.

    A medida está prevista na Resolução nº 7/2026, publicada no Diário Oficial do Estado em 20 de fevereiro, e estabelece diretrizes técnicas e operacionais para prevenir, conter e eliminar a planta no território paulista, com foco na proteção das cadeias produtivas e na manutenção da competitividade do agro.

    Coordenado pela Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o plano organiza ações de vigilância, fiscalização e erradicação em todo o estado, com apoio de instituições de pesquisa, extensão rural, setor produtivo e prefeituras.

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    A decisão ocorre após a confirmação de um foco da planta em 3 de fevereiro de 2026, em uma propriedade rural no município de Mirassol, na região de São José do Rio Preto. A partir da detecção, foram iniciadas ações imediatas de interdição da área, eliminação do foco e monitoramento ampliado, com o objetivo de conter a disseminação e erradicar a ocorrência.

    Protocolos e resposta coordenada

    O plano estabelece protocolos padronizados de atuação, que incluem vigilância fitossanitária contínua, fiscalização, rastreabilidade, manejo integrado, interdição de áreas infestadas, eliminação imediata de focos e controle do trânsito de máquinas e implementos agrícolas.

    Também prevê articulação entre órgãos estaduais e instituições parceiras para garantir monitoramento permanente e resposta técnica rápida.

    Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, a formalização do plano consolida a resposta do Estado diante de uma praga com elevado potencial de impacto.

     “O enfrentamento ao caruru-gigante exige atuação coordenada e permanente. Estamos mobilizando toda a estrutura da Secretaria, em parceria com produtores, prefeituras, instituições de pesquisa e o setor produtivo, para evitar a disseminação da praga no território paulista, preservando a competitividade da nossa agricultura”, ressalta.

    Risco econômico para culturas estratégicas

    Com alto potencial de impacto sobre culturas como soja, milho e algodão, o caruru-gigante pode elevar significativamente os custos de produção agrícola.

    Juntas, essas cadeias representam cerca de R$ 13 bilhões do Valor da Produção Agropecuária paulista — sendo aproximadamente R$ 8,9 bilhões da soja, mais de R$ 4 bilhões do milho e R$ 181 milhões do algodão.

    O cenário reforça o risco econômico associado à disseminação da planta e justifica a adoção imediata de medidas coordenadas de contenção e erradicação.

    “São ações que compreendem vigilâncias ativas e passivas, controle do trânsito de máquinas, manejos integrados, aplicação de medidas químicas, mecânicas e culturais, a eliminação imediata de focos, interdição de áreas, entre outras medidas que devem ser levadas em consideração por todo o setor produtivo para que consigamos extinguir essa praga do território paulista com a maior eficiência possível”, destaca Alexandre Paloschi, engenheiro agrônomo e diretor do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal.

    Próximos passos

    Entre as ações previstas estão a ampliação do monitoramento regional, o reforço da fiscalização coordenada pela Defesa Agropecuária, a publicação de protocolos operacionais específicos, a capacitação técnica de equipes e a intensificação da comunicação com produtores e municípios.

    Diante da confirmação do foco em São Paulo, o estado do Paraná ligou sinal de alerta. A  Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) estruturou um conjunto de ações preventivas para evitar a introdução do caruru-gigante no território paranaense. 

    A estratégia envolve fiscalização direta em propriedades rurais e em locais que recebem maquinários vindos de outros estados, com foco na identificação precoce de plantas suspeitas.

    O que é o Amaranthus palmeri

    O Amaranthus palmeri é uma planta daninha exótica, de crescimento acelerado e elevada agressividade. A espécie apresenta resistência a herbicidas e alta capacidade de dispersão. Plantas fêmeas podem produzir entre 200 mil e 500 mil sementes por ciclo, dependendo das condições ambientais.

    Além disso, há registro de produção de sementes viáveis mesmo na ausência de polinização por plantas machos, o que amplia o potencial de disseminação e reforça a necessidade de monitoramento contínuo nas áreas agrícolas.

     

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