Consumo de café cresce mesmo com disparada de preços em 2021

Segundo ABIC, aumento chegou a 52% devido a custos de produção, câmbio e condições climáticas

Por |
Consumo de café cresce mesmo com disparada de preços em 2021
07deAbrilde2022ás15:50

O consumo interno de café no Brasil subiu 1,71%, na comparação entre novembro de 2020 e outubro de 2021 e os doze meses anteriores.  A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) divulgou os Indicadores da Indústria - Consumo Interno 2021, em coletiva de imprensa, no dia 6 de abril.

Às vésperas do Dia do Café, a entidade aponta que apesar da crise econômica, em decorrência da pandemia da Covid-19, a procura por café apresentou alta no país.

Ainda em relação ao consumo interno, foram movimentadas 21,5 milhões de sacas de 60 kg, entre novembro de 2020 e outubro de 2021, e 21,2 milhões de sacas de 60 kg, entre novembro de 2019 a outubro de 2020. O volume de 2020/2021 representa 45,3% da safra de 2021, que foi de 47,7 milhões de sacas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Preço final da bebida

Segundo um estudo feito pela ABIC, no período de dezembro de 2020 a dezembro de 2021, a matéria-prima ficou, em média, 155% mais cara e o aumento na média ponderada dos demais insumos, como embalagem, salário-mínimo, energia elétrica, diesel e gasolina, foi de 107,30%. Conforme a Associação, o reajuste de preço do café atingiu a média de 52% para o mesmo período.

“São muitos os fatores que impactam no preço final encontrado na gôndola, como o câmbio em alta, o aumento nos custos dos insumos, o volume da safra, o clima e a continuação da pandemia”, diz a ABIC.

Brasil é o segundo maior consumidor de café do mundo

Conforme a ABIC, no ano passado, o Brasil manteve a posição de segundo maior consumidor de café do mundo. A diferença para o primeiro lugar, ocupados pelos Estados Unidos, é de 4,5 milhões de sacas. O Brasil é o maior consumidor de cafés nacionais. Em 2021, o consumo per capita foi de 6,06 kg por ano de café cru e 4,84 kg por ano de café torrado. O bom desempenho na mesa do consumidor teve impacto direto na indústria. “As empresas associadas à ABIC registraram um crescimento de 2,77% no período”, informou a entidade.

Atualmente, as indústrias associadas respondem por 72,9% da produção do café torrado em grão e/ou moído e representam 85,4% de participação (share) no mercado. A ABIC registra em seu banco de dados mais de 3 mil produtos certificados.

Em relação ao abastecimento, desde novembro de 2020, o Índice de Oferta de Café para a Indústria (IOCI) se mantém abaixo da normalidade. “As empresas, de todos os portes não têm a oferta regular de café em grão, com o abastecimento sendo gradual e seletivo”, afirmou a ABIC.

Pesquisa sobre compras de cafés no varejo

A ABIC realiza, mensalmente, o monitoramento de preços por meio de notas fiscais coletadas em mais de mil municípios. No período de agosto a dezembro de 2021, as regiões Norte e Nordeste consumiram mais o café em embalagens de 250g e nas demais regiões de 500g.

A variação de preços por categoria de qualidade foi em média de extraforte (39,3%), tradicional (40,3%), superior (28,1%) e gourmet (20,8%). A região Nordeste teve o maior reajuste nas categorias extraforte e tradicional e a região Sul nas categorias superior e gourmet. Quanto ao consumo de café por canais, 16% foram em pequenas redes, 49% em supermercados e hipermercados e 35% no atacarejo.

Cargando...