PF identifica contrabando de 5,7 mil bovinos da Argentina

Esquema operou por mais de 20 meses em propriedades na divisa entre os países

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PF identifica contrabando de 5,7 mil bovinos da Argentina
08deAbrilde2022ás12:09

A Polícia Federal realizou, ontem, a Operação Boi Viajante para reprimir o contrabando de gado vindo da Argentina. Estima-se que tenham sido introduzidos ilegalmente no Brasil cerca de 5,7 mil bovinos, com valor comercial avaliado em mais de R$ 14 milhões.

Com apoio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná-ADAPAR, cerca de 50 policiais federais cumpriram 11 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal em Foz do Iguaçu/PR, nas cidades de Dionísio Cerqueira/SC e nas cidades paranaenses de Barracão, Bom Jesus do Sul e Santo Antônio do Sudoeste. 

Conforme as investigações, conduzidas pelo período de 20 meses, cinco criadores teriam introduzido gado clandestinamente no mercado brasileiro por meio de propriedades na divisa entre os dois países. Imagens aéreas foram utilizadas na investigação.

A investigação identificou, ainda, que o grupo criou um sistema em que se simulava a aquisição de gado de outras regiões do Paraná para que pudessem expedir a Guia de Trânsito Animal (GTA) aos animais que traziam da Argentina

Outra situação constatada era a simulação de nascimentos, como ocorreu em uma das propriedades, onde o criador chegou a declarar que, no período de apenas 2 meses, nasceram 50 bezerros.

O que chamou a atenção dos policiais foi que nenhum deles era fêmea, enquanto nos 4 anos anteriores, apesar do rebanho ter aproximadamente 50% de vacas, não havia ocorrido nenhum nascimento.   

A introdução clandestina de bovinos no país causa considerável prejuízo aos criadores brasileiros. Além disso, gera grave risco de introdução de doenças como a febre aftosa, já que o Paraná e Santa Catarina são estados “livres de aftosa sem vacinação”, enquanto a Argentina é considerada “livre de aftosa com vacinação”. 

Os delitos investigados são previstos no Código Penal: contrabando, associação criminosa, falsidade ideológica e infração de medida sanitária preventiva, cujas penas máximas somam 18 anos de reclusão.

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