Mais de R$ 400/kg: Bacalhau caro na Páscoa abre espaço para carne suína no cardápio

    Alta do pescado, impulsionada por custos de importação e câmbio, leva consumidor a buscar alternativas mais acessíveis na Páscoa

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    Mais de R$ 400/kg: Bacalhau caro na Páscoa abre espaço para carne suína no cardápio
    27deMarçode2026ás15:10

    A Páscoa segue tendo o bacalhau como uma das principais referências gastronômicas no Brasil, ligado à tradição religiosa e ao consumo de peixe no período.

    Nos últimos anos, porém, a alta contínua dos preços tem mudado o comportamento do consumidor, que passa a reavaliar a presença do pescado no cardápio diante do impacto no orçamento.

    Com valores que podem ultrapassar R$ 400 o quilo e pressão de custos associada à importação e à variação cambial, o bacalhau mantém perfil de proteína premium. Nesse cenário, a carne suína ganha espaço na data, impulsionada pelo custo mais competitivo e pela versatilidade no preparo.

    Levantamentos de mercado mostram grande variação de preços no varejo brasileiro, conforme o corte e a qualidade. Opções mais acessíveis, como lascas e desfiados, partem de R$ 110/kg, enquanto postas chegam a R$ 239/kg.

    Já cortes nobres, como o lombo premium, superam R$ 400/kg em períodos de maior demanda, como a Páscoa.

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    Em contraste, a carne suína apresenta maior estabilidade de preços e ampla oferta no mercado interno, o que favorece sua presença em datas comemorativas.

    Cortes como o filé mignon suíno variam entre R$ 25 e R$ 35/kg, podendo chegar a cerca de R$ 39,90 em pontos premium. O lombo suíno, por sua vez, mantém faixa média entre R$ 22 e R$ 30/kg.

    A diferença de preços entre as proteínas tem influenciado diretamente o consumo. Dependendo do corte, o bacalhau pode custar entre cinco e oito vezes mais do que opções como lombo e filé mignon suíno, o que amplia a busca por alternativas mais viáveis para a Páscoa.

    Mudança

    À frente desse movimento está a chef e especialista em cortes suínos Flávia Brunelli, empresária do setor e referência na valorização da carne suína no Brasil. Segundo ela, há uma mudança gradual no comportamento do consumidor em datas tradicionais do calendário gastronômico.

    “Quando existe uma diferença de preço tão expressiva, o consumidor amplia o olhar sobre outras proteínas. A carne suína entra nesse cenário como uma opção que atende tecnicamente à proposta de um almoço de Páscoa”, afirma a chef e especialista em cortes suínos Flávia Brunelli.

    A substituição de proteínas em momentos de pressão econômica é um comportamento recorrente e tende a se intensificar em períodos de inflação e reorganização do orçamento.

    No caso da Páscoa, essa dinâmica se torna mais evidente pela concentração das compras em um curto intervalo, levando o consumidor a buscar equilíbrio entre custo, rendimento e qualidade.

    “Existe uma mudança de comportamento que vai além do preço. O consumidor passa a avaliar o conjunto da experiência e entende que pode construir um prato principal completo com outras proteínas”, diz Flávia Brunelli.

    Além do fator econômico, a versatilidade da carne suína contribui para sua expansão no cardápio da Páscoa. Cortes como lombo e filé mignon permitem diferentes formas de preparo, desde assados tradicionais até receitas com técnicas mais elaboradas, adaptando-se a diferentes perfis de consumo.

    “A carne suína permite construir um almoço de Páscoa completo, com técnica, variedade e adaptação ao orçamento, sem depender exclusivamente de uma proteína tradicional”, conclui Flávia Brunelli.

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