Alicate contra o agro: como sobreviver a este arrocho?

O setor sofre com os aumentos dos custos de produção e com a queda nos valores pagos pelas commodities. Por Xico Graziano

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Alicate contra o agro: como sobreviver a este arrocho?
06deMaiode2022ás09:04

Duas forças econômicas atuam neste momento comprimindo oagro: de um lado, um violento aumento dos custos de produção; do outro, a tendência de queda dos preços agrícolas, em função da desvalorização dodólar e da demanda comprimida

Como um alicate, apertando dos dois lados, o cenário acende a luz amarela na rentabilidade do agronegócio. Entre os custos, destaca-se a questão dos fertilizantes químicos. A guerra Rússia x Ucrânia causou, notoriamente, um baque na oferta dos principaismacroelementos (N, P, K).

O mercado já andava confuso, e firme, devido aos reflexos da pandemia na logística de distribuição. Agora, com o petróleo nas alturas, os nitrogenados mudaram de patamar. Falando em petróleo, o óleo diesel também foi lá para cima.

Ao fazer um arredondamento, o custo da produção agropecuária dobrou em um ano, aumento de 100%. Outros setores da economia mantêm margem e repassam, em certos termos, a elevação de custos para o preço final. Naagricultura, setor em que impera a concorrência, não. O produtor tromba com o preço dado no mercado.

Com ficam os preços agropecuários?

É aqui que o aperto do alicate piora. Com o dólar mais baixo, a remuneração das exportações, na moeda brasileira, é menor. Quer dizer, ascommodities precisariam subir, em dólares, para compensar a perda de receita, em reais. Nada garante que isso acontecerá.

No mercado interno, todas as projeções falam em crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) próximo de zero em 2022 e adiante. A Selic, taxa básica de juros da economia, faz desacelerar os investimentos. Ou seja, a demanda por alimentos continuará capengando e afrouxará os preços do supermercado. É preocupante.

Qual reação é possível contra este alicate que espreme a renda rural? Primeiro existem as soluções micro, individuais. Cada produtor sabe onde o calo aperta. A depender da sua posição na cadeia produtiva, toma as decisões convenientes. Alguns irão reduzir a área de plantio, outros cortarão parte do adubo. Revisar custos fixos é importante, arrendar e assim por diante.

No macro existe somente uma solução: elevar a produtividade dos fatores para reduzir os custos unitários da produção. O que exige investir em mais, e não menos,tecnologia. Por exemplo, aprimorar a análise de solo para aumentar a eficiência no uso do fertilizante.

 

O que não pode é ficar parado, como poste, esperando acontecer. Tem que tomar atitude. É hora de inteligência no campo.

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