Corredor Bioceânico de Capricórnio reduziria custo marítimo à China em 30%

Megaprojeto logístico promoveria integração multimodal de Brasil, Argentina, Paraguai e Chile

Por |
Corredor Bioceânico de Capricórnio reduziria custo marítimo à China em 30%
13deMaiode2022ás11:46

O Fórum Internacional de Logística Multimodal Sustentável (FILMS), que termina amanhã, em Foz do Iguaçu, Paraná, foi palco para retomada dos debates sobre um grandioso projeto chamado Corredor Bioceânico Multimodal de Capricórnio.

O corredor ligaria o porto de Paranaguá, no Paraná, com Antofagasta, no Chile, para uma integração logística multimodal envolvendo Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico.

O complexo contaria com infraestrutura terrestre, marítima e aérea para reduzir em até 3.300 quilômetros e baratear em 30% o percurso marítimo entre a América do Sul e a Ásia ou a África.

Segundo informações do evento, atualmente, as rotas mais comuns para estes trajetos são o Estreito de Magalhães, Cape Horn, Canal de Panamá e Canal de Suez. No caso do Estreito de Magalhães, por exemplo, são 21.989 quilômetros, tendo 49 dias e 11 horas como tempo de viagem para Shangai, na China.

Com o Corredor Bioceânico Multimodal de Capricórnio, o trajeto entre o Porto de Antofagasta no Chile e Shangai, na China, teria distância de 18.677 quilômetros, reduzindo para 42 dias e 1 hora de viagem.

Saída para a Ásia

O Films é promovido pela Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (Acifi) e reúne representantes do poder público, empresários, técnicos, pesquisadores, investidores e lideranças do setor de logística e infraestrutura.

A palestra de abertura foi feita por João Carlos Parkinson de Castro, ministro de carreira diplomática do Ministério das Relações Exteriores. “Hoje o nosso grande parceiro comercial não é mais a União Europeia, e nem os Estados Unidos. É a China. A região que mais cresce é a asiática. Temos que direcionar as nossas forças para onde há crescimento e não para onde há retração”, disse.

O ministro destacou que há fluxos de cargas tradicionais para a Europa, que não vão mudar e continuarão saindo pelo Atlântico. “Mas, se queremos acessar novos mercados, como a Coréia e outros países asiáticos, devemos exportar pelo Pacífico”, disse.

Castro destacou a importância do porto chileno de Antofagasta e de outros portos no país sulamericano para escoar produtos como grãos e carnes,. “O Chile tem portos naturais, de grandes calados. A economia do Chile cresce em direção à ampliação de serviços, por isso seus portos ganham relevância e se modernizam. Mas, o Chile não tem carga suficiente e depende das nossas cargas”, observou.

No papel

A ideia do corredor tem mais de 20 anos, mas o conceito original foi apresentado pelo governo boliviano, em 2013. A primeira expedição do trajeto chegou a ser realizada, contudo, desde as fases mais iniciais, discussões políticas entraram em cena, alterando o projeto.

Com a reestruturação do projeto, os maiores beneficiados pelo corredor bioceânico serão o Brasil, Argentina, Paraguai e o Chile, pois as exportações de grãos e carnes dos três primeiros a Ásia e, por sua vez, os chilenos passarão a receber estas cargas com encargos de exportação mais elevados.

Além do aspecto econômico, o Corredor Bioceânico Multimodal de Capricórnio teria grande potencial turístico. Seria uma rota única por paisagens exuberantes e tão variadas como, por exemplo, o Pantanal brasileiro, a Cordilheiras dos Andes e o deserto do Atacama, entre outras.

Cargando...