Produtores de feijão já relatam escassez de fertilizantes

Boletim técnico do Ibrafe compila preocupações do setor diante da crise mundial de insumos e aborda soluções

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Produtores de feijão já relatam escassez de fertilizantes
16deMaiode2022ás10:55

Boletim técnico publicado pelo Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), no último dia 12, reafirma a preocupação do setor com a falta ou atraso na entrega de fertilizantes e possíveis impactos da crise mundial de insumos – agravada com a guerra Rússia e Ucrânia - nos preços para a próxima safra de verão

O IBrafe teme valores inviáveis e considera que a “dependência do Brasil em quase 90% de importação nos fertilizantes é uma questão de segurança nacional”.

“Estamos sem Rússia, China e Bielorrússia devido as sanções impostas, três países significativos no fornecimento de fertilizantes para o Brasil, assim estamos falando de 43% de restrição de produto e como sabemos, a Rússia é um dos principais fornecedores”, lembra o boletim.

Para embasar suas preocupações, o Ibrafe cita pesquisa feita pela Stone X, em fevereiro, que revelou, na comparação com o segundo semestre de 2022, o fato de apenas 28% dos produtores de feijão terem comprado seus insumos no período.

O dado indica que mais de 70% dos produtores estavam usando insumos de seus estoques, e, por este motivo, o reflexo no preço ainda ser amenizado. Em fevereiro de 2021, de acordo com a pesquisa, o índice de compra foi 50%.

O boletim da Ibrafe destaca também o fato de que o preço dos fertilizantes á estava alto antes da guerra, devido à demanda forte por grãos com a quebra posterior, e que, de acordo com o head de fertilizantes da América Latina da Nutrien Brasil, Roberto Calos de Oliveira, está cada vez mais difícil prever os preços dos insumos, uma vez que as alterações são praticamente diárias.  

Impacto da alta do gás

Uma das preocupações da Ibrafe refere-se também ai preço do gás natural, que impacta na fabricação de matéria-prima para os fertilizantes, uma vez que, para fabricação de amônia, precisa de gás e para a fabricação de ureia precisa de amônia, mais gás natural, assim como para a fabricação do MAP e DAP, os fosfatados e nitrogenados.

De USD 230,00/t em 2020, a amônia passou em março deste ano acima de USD 1.300/t. Sem contar o frete marítimo que também compõe o preço dos fertilizantes e durante a pandemia aumentou 472%. As altas atingem também ureia e cloreto de potássio, entre outros insumos.

Biocarvão como aliado 

O boletim do IBrafe destaca também medidas para reduzir a dependência do Brasil da importação de fertilizantes. São elas: a lei dos bioinsumos; o programa Profert (para incentivar a produção de fertilizantes local); o Plano Nacional de Fertilizantes; e as recentes pesquisas realizadas por instituições como a Embrapa.

Alías, a Embrapa Meio Ambiente acaba de divulgar os resultados de estudos, em parceria com a empresa Carbosolo Desenvolvimento Agrícola Ltda., que comprovam os benefícios do uso de fertilizantes organominerais à base de biocarvão.

O estudo aponta boa disponibilização de nutrientes e, no caso do nitrogênio e potássio, uma liberação mais lenta e gradual na comparação com fontes convencionais solúveis, prevenindo contra perdas excessivas no sistema e aumentando o potencial de absorção pela cultura.

No experimento, biocarvões feitos à base de cama de frango e torta de filtro de cana-de-açúcar foram enriquecidos com nitrogênio, fósforo e potássio minerais. Os testes demonstraram ganhos de até 21% na produtividade do milho e de 12% na eficiência de uso do nitrogênio pelas plantas.

  

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