CNA debate preços de alimentos e desafios no combate à fome

Evento reuniu economistas para análise atual sobre insegurança alimentar e soluções

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CNA debate preços de alimentos e desafios no combate à fome
25deMaiode2022ás11:01

A combinação entre a pandemia, a guerra entre Rússia e Ucrânia e fenômenos climáticos mundiais forma uma “tempestade apocalíptica” que ameaça a humanidade com um cenário de fome.

A frase acima é de Otaviano Canuto, economista sênior no Policy Center for the New South, durante o debate “Preços de alimentos, desafios do futuro”, realizado ontem (dia 24), pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Para o economista, a elevação nos preços das commodities energéticas, a estocagem de alimentos e as restrições às exportações impostas por 35 países – somente nos últimos dois anos – são elementos de uma equação que cada vez mais tende a elevar os custos dos alimentos aos consumidores finais.

“O índice global de alimentos, medido pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), atingiu o nível máximo de todos os tempos em março desse ano e a tendência é continuar em alta. Precisamos pensar no que pode ser feito, como políticas para mitigação, programas de transferência de renda e subsídios diretos aos preços, sementes e fertilizantes”, disse Canuto.

Além dele, o debate contou com as participações da economista-chefe Bloomberg, Adriana Dupita; e do economista da área de Macroeconomia da LCA Consultores, Fábio Romão. A mediação ficou com o  coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon.

IPCA em alta e reflexos

Renato Conchon lembrou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação brasileira, acumula  alta nos últimos 12 meses, e atualmente é de 12%. Já o indicador de alimentos e bebidas aumentou ainda mais e atingiu 13,5%.

“São números bastante preocupantes em um momento que estamos justamente em uma transição de saída da pandemia, onde muitas famílias tiveram impactos negativos na sua renda”, afirmou.

Em sintonia no discurso, Fábio Romão analisou como a política monetária vem reagindo sobre o cenário de juros e especialmente quais são os impactos para a população brasileira.

“Além das commodities, fatores como o aumento dos combustíveis e da energia elétrica também interferem na formação dos preços dos alimentos. Infelizmente, continuaremos com um cenário de inflação pesada neste ano, mas com alguma perspectiva de desaceleração em 2023”, disse.

Durante o evento, Conchon falou sobre documento entregue ao governo brasileiro pela CNA com a sugestão de medidas para ampliar a oferta de alimentos.

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