Plano Safra 22/23 é arma para conter inflação de alimentos

Presidente da Faesp analisa desafios da produção rural nacional frente a alta dos preços

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Plano Safra 22/23 é arma para conter inflação de alimentos
02deJunhode2022ás10:51

Aumentar a produção e a oferta de alimentos é saída decisiva para conter a escalada dos preços globais, que se iniciou com a pandemia de Covid-19 e vem sendo agravada pela guerra. 

O alerta é de Fábio de Salles Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), em artigo publicado ontem (dia 1), no site da instituição.

Na avaliação de Meirelles, em que pese o recuo de 0,8% no índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em abril (frente a março de 2022), os valores dos alimentos ficaram quase 30% mais altos do que os registrados em abril de 2021.

“Ou seja, ainda há riscos para a segurança alimentar, principalmente para os contingentes mais vulneráveis da população do planeta”, escreve Meirelles, que completa: “Mais do que nunca, os pressupostos da lei da oferta e da procura têm se mostrado atuantes.”

Neste contexto, o presidente da Faesp analisa a relevância do Brasil, como grande produtor e fornecedor mundial de alimentos, bem como os desafios do País para ampliar o rendimento de suas lavouras, atendendo a demanda, e auxiliar os produtores rurais a lidarem com a escalada dos juros. 

“Em nosso país, além dos impactos dos problemas mundiais enfrentados pela agropecuária, houve fenômenos climáticos adversos em 2021, como chuvas, frio excessivo, geadas, secas e enchentes, que prejudicaram bastante o rendimento das lavouras. Este ano, com a escalada dos juros, surge o problema adicional do crédito, pois muitos produtores não conseguem os recursos das linhas subvencionadas.”

Para ele, é essencial um melhor redimensionamento dos recursos de subvenção para o crédito ao setor, principalmente através do próximo Plano Safra 2022/2023 -  que tem previsão de entrar em vigor em 1º de julho. 

“Não houve uma revisão das verbas de modo congruente com o grande aumento da Selic desde o início de 2021, bem como do custo de produção, que eleva a demanda por recursos para investimentos, comercialização e custeio das atividades. E com a taxa Selic já em 12,75% ao ano, os produtores precisarão, como nunca, de linhas especiais de financiamento para manter o patamar da produção. Ninguém conseguirá bancar os juros livres de mercado, em especial porque os spreads bancários estão muito elevados, inclusive por conta dos riscos da conjuntura atual.” 

Renegociação de prazos e abastecimento de insumos 

O artigo de Meirelles ainda trata como prioridade medidas de renegociação de prazos de reembolso do crédito rural, com foco nas regiões impactadas pelas adversidades climáticas, e a garantia de fornecimento de fertilizantes. “Como se observa no Índice da FAO, é prioritário ampliar a produção mundial de alimentos para propiciar equilíbrio aos mercados e estabilidade aos preços. A agropecuária brasileira é estratégica nesse processo, mas precisa de apoio neste momento de dificuldades.”

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