Preço do algodão cai e setor busca mercado na Ásia

Representantes da Abrapa visitaram os principais importadores do continente

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Preço do algodão cai e setor busca mercado na Ásia
22deJunhode2022ás16:52

Enquanto o preço do algodão está em queda de pois de máximas históricas no mercado interno, representantes do setor algodoeiro completaram uma viagem de promoção da produção brasileira na Ásia, que recebe 99% das exportações nacionais.

Entre 14 e 21 de junho, o Indicador Cepea, com pagamento 8 dias, recuou 4,82%, fechando a R$ 7,4231/lp na terça-feira (dia 21). Na parcial de junho, a baixa é de 8,76%.

O motivo é que alguns vendedores estão mais flexíveis no spot nacional de algodão em pluma, aceitando as ofertas de preços menores de compradores.

Esses vendedores também estão atentos ao enfraquecimento das cotações externas e ao início da colheita no campo. Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), 4,2% do total da área da safra 2021/22 havia sido colhida até o dia 18 de junho.

Mercado asiático

Os produtores brasileiros de algodão que visitaram a Ásia, entre 4 e 15 de junho, retornam ao País com boas perspectivas de ampliar as relações comerciais, uma vez que o continente é o principal destino das exportações da fibra nacional.

Quarto maior produtor e segundo principal exportador da fibra do mundo, o país estima 2,796 milhões de toneladas para a safra 2022/2023, segundo relatório da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa).

Já o continente concentra 99% das vendas externas do Brasil e as projeções do mercado são de aumento da demanda global por algodão.

A missão comercial visitou Indonésia, Tailândia e Bangladesch. Os três países, juntos, representam 21% do total embarcado para a Ásia na safra 2020/21, cerca de 498,5 mil toneladas da fibra. No ciclo atual (de agosto/21 a abril/22), respondem por mais de um quinto de algodão brasileiro.

Para o presidente da Abrapa, Júlio Cézar Busato, a visita aos três países foi importante para avaliar a confiabilidade do produto nacional nos respectivos mercados e o resultado foi positivo.

“Fomos muito bem avaliados, sobretudo na qualidade da nossa fibra que supera a concorrência americana em muitos aspectos. Temos potencial de crescimento nos próximos anos e esses países estão abertos ao nosso produto", disse Busato.

Bangladesh

É o mercado que mais cresce na importação mundial da pluma, juntamente com o Vietnã, mas que ainda compra pouco algodão brasileiro, comparativamente com outros mercados produtores.

Na safra passada, Bangladesch importou 270 mil toneladas. No atual ano comercial, entre agosto de 2021 e maio de 2022, as exportações para o mercado bengali somaram 184,0 mil toneladas.

É o quinto maior importador do algodão brasileiro, mas é o segundo maior importador global da fibra. Não à toa, o Brasil está de olho em Bangladesh e trabalhando para ampliar a abertura de mais mercado e o surgimento de novas oportunidades de negócios.

O diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, ressalta que as indústrias têxteis de Bangladesh planejam expandir sua produção e com isso precisarão de mais algodão do que já consomem. "Estamos trabalhando para estreitar as relações e atender ainda mais o mercado com a fibra brasileira", afirmou. Meta viável ao que tudo indica.

Tailândia

Na Tailândia, foram visitadas indústrias, entre elas a maior compradora do algodão brasileiro do país. Foi a oportunidade para os produtores conhecerem mais sobre o processo fabril da empresa, identificando oportunidades para aperfeiçoar o algodão exportado para os tailandeses.

Chamou atenção dos produtores o feedback do mercado tailandês sobre a evolução da fibra brasileira. Tailândia está entre os países considerados prioritários pela Abrapa. No ranking, é o oitavo maior importador mundial de algodão, com 130 mil toneladas na safra 2020/21.

Desse total, o Brasil respondeu por 16% com o embarque de 21 mil toneladas da pluma. Ficou perceptível aos brasileiros, durante a visita, que a indústria têxtil tailandesa vive agora um período de busca por mais eficiência e qualidade, recuperando-se dos impactos pós-pandemia. O algodão tende a ser favorecido, pois o consumidor sinaliza preferir tecidos com essa fibra natural.

Indonésia

A etapa na Indonésia, primeiro país visitado pela "Missão Vendedores" também teve saldo positivo e com aceno de ampliação das relações comerciais com os brasileiros.

Para isso, basta que os cotonicultores sigam investindo na melhoria dos indicadores de qualidade e na rastreabilidade do produto, unanimidade na fala dos industriais visitados pela comitiva. Essa confiança ajuda a explicar os bons números do comércio de algodão entre Brasil e Indonésia.

Em 2021, o País exportou 207 mil toneladas de algodão para a Indonésia, que é o sexto maior mercado da pluma brasileira e o país com o segundo melhor market share (41%).

Neste ano comercial (de agosto de 2021 a abril de 2022), já foram embarcadas para as indústrias indonésias 133,2 mil toneladas da fibra nacional. Sexto maior importador de algodão no mundo, foram 501 mil toneladas na safra 2020/21, a Indonésia não tem previsão de ver sua produção própria se ampliar.

Diante do cenário, é outro potencial comprador a aumentar seus pedidos para o mercado brasileiro.

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