Suinocultores pedem auxílio do Governo para superar crise

Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados debateu dificuldades do setor nesta terça (dia 5)

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Crédito: Banco Getty Images.

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06deJulhode2022ás16:31

Integrantes da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados estiveram reunidos nesta terça-feira (dia 5) para debater formas de ajudar os suinocultores nacionais a superar as atuais dificuldades. 

O setor enfrenta crise, agravada pelo conflito na Europa, com a alta dos custos de produção, sobretudo dos preços do milho e do farelo de soja. Os itens são utilizados nas rações dos animais. 

O encontro da comissão atendeu ao pedido da deputada Aline Sleutjes (foto), após solicitação dos produtores em conversas com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), da qual Aline é integrante. 

“Com os prejuízos acumulados, muitos produtores têm reduzido o rebanho ou abandonado a atividade, movimento que faz com que haja aumento repentino da oferta de carne suína no mercado, o que impede a elevação dos preços para o mercado final”, disse a deputada. 

Setor pede redução de tarifas

Durante a reunião, os suinocultores lembraram o pedido ao Ministério da Economia para que seja mantida a isenção das alíquotas de contribuição incidentes na importação do milho (PIS/COFINS) até dezembro. 

O setor também pede que o governo prorrogue o prazo de pagamento dos custeios pecuários em um ano e a inclusão da carne suína e de seus derivados nos programas de PNAE e PAA/Alimenta Brasil (SAF/MAPA). 

“O ideal seria pegar 50% do limite de crédito rural disponível para setor e colocar para vencimento em 24 meses e outros 50% para vencimento em 12 meses normais como é o custeio agropecuário,” defende Valdecir Folador. 

Ele, que é conselheiro de mercado da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), acredita que a medida é essencial para ajudar o produtor a lidar com o momento de crise. 

Já o Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, destacou a importância da suspensão da Tarifa Externa Comum (TEC) para insumos importados da área extra-Mercosul. 

“Nós passamos a pior parte durante a pandemia, mas o nosso suinocultor continuou resiliente e está trabalhando para não deixar faltar comida com preços acessíveis na mesa do brasileiro,” frisou, durante o encontro de ontem. 

Para Santin, é igualmente importante que a isenção da TEC sobre as importações de milho de países de fora do Mercosul seja postergada até 31 de dezembro de 2022 e a renegociação de dívidas pelos suinocultores independentes.  

Governo acredita que cenário será melhor

Chefe da assessoria especial de estudos econômicos do Ministério da Economia, Rogério Boueri, reforçou que o governo tem conhecimento das dificuldades e que trabalha, dentro do possível, para minimizar os impactos negativos. 

“Para corresponder ao aumento do custo de produção, no Plano Safra 2022/2023 nós focamos esse ano em expandir o volume de crédito: se você tem mais custos, é preciso mais crédito” afirmou. 

Já o coordenador-Geral de Culturas Perenes e Pecuária, da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SPA/MAPA), João Salomão, preferiu destacar que a tendência é de cenário mais tranquilo no segundo semestre.   

“A segunda safra de milho vem forte e isso deve fazer com que os preços recuem. Além disso, estamos trabalhando com a abertura de novos mercados para manter o desenvolvimento da cadeia neste momento difícil.”

 

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