Moagem de cana-de-açúcar cai 11,6% no acumulado da safra

Segundo a Única, rendimento agrícola melhorou 1,1%, mas ATR caiu 3,3%

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Usina do setor sucroenergético. (Getty Images)

Usina do setor sucroenergético. (Getty Images)

12deJulhode2022ás12:13

A moagem de cana-de-açúcar na segunda quinzena de junho na região Centro-Sul atingiu 41,88 milhões de toneladas, retração de 7,92% em relação à quantidade registrada em igual período do ano passado, quando 45,48 milhões de toneladas foram processadas, conforme relatório da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA).

No acumulado da safra, a moagem totaliza 187,61 milhões de toneladas ante 212,42 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2021 - queda de 11,68%. Até o dia 1 de julho, 253 unidades operaram frente a 259 unidades no mesmo período do ciclo 2021/2022.

Para a segunda quinzena de julho, outras duas unidades devem iniciar a moagem no Centro-Sul. Informações preliminares do Centro de Tecnologia Canavieira, para uma amostra comum de 67 unidades produtoras, indicam que foram colhidas 77,4 toneladas por hectare em junho de 2022.

Isso representa um aumento de 1,1% no rendimento agrícola da lavoura na comparação com o mesmo período na safra 2021/2022 (76,6 toneladas por hectare).

O diretor técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues, explica que "apesar da recuperação do rendimento agrícola observado em junho, a expectativa é que, no acumulado da safra, o indicador marque uma retração de 0,8%".A qualidade da matéria-prima colhida na segunda metade de junho, mensurada em kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar processada, apresentou retração de 3,30% na comparação com o mesmo período do último ciclo agrícola, registrando 137,08 kg de ATR por tonelada colhida.

No acumulado da safra, a queda é de 4,35% com o indicador marcando 127,28 kg de ATR por tonelada.

Produção de açúcar e etanol

A produção de açúcar na segunda quinzena de junho totalizou 2,49 milhões de toneladas (-14,98%).

No acumulado desde o início da safra 2022/2023, a fabricação do adoçante totaliza 9,68 milhões de toneladas, frente as 12,34 milhões de toneladas do ciclo anterior (-21,58%).

Na segunda metade de junho, 2,02 bilhões de litros (-3,90%) de etanol foram fabricados. Do volume total produzido, o hidratado alcançou 1,16 bilhão de litros (-6,63%), enquanto a produção de etanol anidro totalizou 859,86 milhões de litros (+0,06%).

No acumulado do atual ciclo agrícola, a fabricação de álcool atingiu 9,02 bilhões de litros (-7,17%), dos quais 5,80 bilhões consistem em etanol hidratado (-7,86%) e 3,22 bilhões em anidro (-5,89%).

Preços

Os preços dos etanóis hidratado e anidro caíram no spot do estado de São Paulo na semana passada, entre 4 e 8 de julho, mesmo diante do aquecimento na demanda e da queda do processamente.

Segundo pesquisadores do Cepea, os recuos estiveram atrelados à flexibilidade por parte de algumas usinas paulistas que, com necessidade de “fazer caixa”, aceitaram negociar os biocombustíveis a valores menores. Do lado das distribuidoras, as compras foram motivadas pela volta da boa vantagem competitiva do etanol frente à gasolina.

Até então, os negócios vinham sendo feitos de forma pontual e envolvendo volumes pequenos. Assim, entre 4 e 8 de julho, o Indicador CEPEA/ESALQ semanal do hidratado do estado de São Paulo foi de R$ 2,9013/litro, queda de 2,1% frente ao do período anterior. No caso do anidro, a baixa foi de 3,54%, com o Indicador CEPEA/ESALQ fechando em R$ 3,3986/litro.

Do total de biocombustível fabricado, a produção a partir do milho na segunda quinzena de junho registrou 188,84 milhões de litros, contra 125,23 milhões de litros no mesmo período do ciclo 2021/2022 - avanço de 50,79%. No acumulado desde o início da safra, a produção a atingiu 961,76 milhões de litros - avanço de 33,27% na comparação com igual período do ano passado.

“Pró-álcool’

O executivo da UNICA destaca que "até o momento as usinas da região Centro-Sul deixaram de fabricar cerca de 1,22 milhão de toneladas de açúcar em prol do aumento da produção de etanol”. Além disso, a oferta do produto a partir do milho tem tido crescimento robusto e já representa mais de 10% da produção total de álcool na safra.

Esses fatores contribuem para que, a despeito da queda em mais de 11% na quantidade de cana processada e 4% na qualidade, o recuo na oferta de etanol seja na casa dos 7%". As informações partem da assessoria de imprensa da UNICA.

 

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