Agricultores argentinos exigem “mudança de rumo”

Manifestações foram registradas em ao menos nove províncias do país vizinho

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Paralisação de agricultores na Argentina (foto - Agofy News Argentina)

Paralisação de agricultores na Argentina (foto - Agofy News Argentina)

14deJulhode2022ás17:48

A paralisação de agricultores na Argentina dá voz a um sentimento em comum em todo o país. As reivindicações começaram por meio de uma “Mesa de Enlace” na região de Gualeguaychú, Entre Ríos, encontraram eco nas associações do setor e também na sociedade civil.

Segundo o editor-chefe do Agrofy News na Argentina, Nico Degano, não faltam motivos, seja para os produtores rurais ou para a sociedade em geral. Entre eles, o aumento da pobreza, a incerteza política e econômica e a perda do poder de compra, para citar alguns exemplos.  

“Há coincidência de graves problemas que afetam agricultores e pecuaristas de todo o país, como falta ou sobrepreço de combustíveis, inflação crescente, mudanças nas regras do jogo, falta de financiamento, políticas para garantir previsibilidade e outras”, iniciou.

Assim, líderes nacionais da Sociedade Rural, CRA, Coninagro e a Federação Agrária da Argentina dirigiram-se aos produtores e realizaram uma paralisação de 24 horas ontem.

O vice-presidente da Coninagro, Elbio Laucirica, sustentou que o problema é muito mais do que econômico, é um problema político. “Precisamos deles para nos dar previsibilidade para poder produzir”, acrescentou.

 

Por sua vez, o presidente da Federação Agrária, Carlos Achetoni, destacou que sente profunda tristeza ao realizar esses atos. "Infelizmente, sempre nos colocam no banco dos réus", questionou. Curiosamente, agricultores também protestam na Holanda e outros países da Europa pelo mesmo motivo, apesar de demandas diferentes.

Por sua vez, o presidente do CRA, Jorge Chemes, afirmou: “Não estamos aqui porque queremos enriquecer ou ter rendimentos extraordinários. Estamos aqui porque estamos pedindo um ato de Justiça”.

Por fim, o presidente da Sociedade Rural, Nicolás Pino, ressaltou que o campo tem muito a dar. "O Governo também tem que nos cumprir, senão o campo vira uma caixa que não para de dar e dar", assegurou.

A partir daí, a mobilização contou com centenas de manifestações, panfletos, atos e atividades nas praças e nas rotas do Chaco, Mendoza, Santa Fé, Formosa, Corrientes, Córdoba, Buenos Aires, La Pampa e Entre Ríos.

Reivindicações

A paralisação do campo tem múltiplas solicitações em um contexto de escassez de diesel e fertilizantes que se soma às mudanças nas regras do jogo que impactam o setor.

Nesse quadro, as entidades de produtores agrícolas compartilharam um manifesto que descreve a necessidade de uma "mudança de rumo".

“Convocados por uma situação avassaladora da maioria dos cidadãos comuns de nosso país e levantamos nossas vozes para exigir uma mudança urgente de rumo, não apenas na política econômica, mas também para sair da decadência em que uma parte de nós mergulhou. da liderança política, com suas consequências de maior pobreza e marginalidade”.

O documento também destaca que os produtores agrícolas mobilizados dão um “basta” à voracidade fiscal do Governo Nacional e ao intervencionismo estatal arbitrário e discricionário. O País enfrenta, há anos, a política de “retenciones” que limita o livre comércio de produtos agrícolas.

“Exigimos regras claras do jogo, previsibilidade para continuar sendo um dos setores mais dinâmicos da República e que com nossos esforços todos possamos sair da crise em que se encontra nossa amada Argentina", finalizam.

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