Insumos biológicos vão transformar a agropecuária

Segmento recebe cada vez mais investimentos por sua eficiência e sustentabilidade

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02deAgostode2022ás10:36

A SP Ventures e a Farmabase anunciaram, no mês passado, investimentos na Decoy Smart Control, empresa focada no controle biológico de carrapatos, que corrobora a tese sobre o potencial dos insumos biológicos para a agropecuária.

O mercado global de insumos biológicos é de US$ 10,6 bilhões (2022) e deve chegar a US$ 22,6 bilhões (2030). No Brasil, o mercado cresceu 37% na safra 2020/2021, atingindo um valor próximo a US$ 350 milhões e a expectativa é de que o crescimento continue pela próxima década.

Enquanto outros países ampliam o uso em torno de 12% a 15%, o Brasil cresce 35%, e como um dos países mais relevantes no mercado do agronegócio, espera-se que o país seja um dos maiores implementadores de tecnologias biológicas, atingindo um mercado bilionário.

Em relação ao Venture Capital, o portfólio da SP Ventures contém, além da Decoy, outras empresas do segmento de biológicos, como Bug (saída), Gênica e Promip, posicionando o fundo de investimento como um dos líderes da América Latina.

O que são os biológicos?

Os insumos biológicos são processos, produtos ou tecnologias de origem vegetal ou microbiana utilizados na agricultura ou pecuária com o objetivo de impactar positivamente estas atividades.

Entre seus resultados, estão o crescimento, desenvolvimento e mecanismos de resposta de animais, plantas, microrganismos e substâncias derivadas para interação com produtos e processos físico-químicos e biológicos.

Além disso, eles podem ser diferenciados em quatro categorias principais:

1. Inoculantes: compostos por microrganismos e com função de desenvolver plantas;

2. Biodefensivos: organismos vivos que atuam como agentes de controle biológico, podendo ser naturais ou produzidos geneticamente;

3. Ativadores: inclui fertilizantes e tem a finalidade de melhorar a produção, qualidade, desenvolvimento, equilíbrio hormonal e germinação;

4. Repositórios: contém microrganismos visando a reposição biológica e funcional do microbioma do solo.

Um ponto chave é que eles interagem com produtos de origem química e biológica, destacando sua natureza complementar, e que à medida que as pragas se tornam mais resistentes, é fundamental encontrar formas de combatê-las.

A favor dos biológicos 

Além disso, o tamanho do mercado pode ser ainda maior, pois os biológicos são cada vez mais usados ​​em vez de fertilizantes e herbicidas ou outros insumos agrícolas.

É importante mencionar o histórico do uso do controle biológico no Brasil, com implantação bem-sucedida desde a década de 1960, com o uso dessa forma de controle de pragas na cultura da cana-de-açúcar.

O crescimento do mercado se deve a vários fatores, entre eles:

1. Maior conscientização e desejo do consumidor por produtos de menor uso agroquímico;

2. Regulamentos favoráveis ​​ao uso de produtos biológicos e proibitivos de alguns produtos químicos;

3. Aumento dos preços dos produtos químicos como resultado do impacto do Covid-19 nas cadeias de abastecimento;

4. Crescente resistência dos organismos vivos e diminuição da eficácia dos agroquímicos;

5. Crescimento de novas práticas, como a agricultura regenerativa;

6. Pressão da cadeia do agronegócio por uma agricultura mais ecologicamente correta.

Crise dos fertilizantes

Além dos fatores mencionados acima, deve-se destacar a crise de fertilizantes envolvendo a Rússia. O país, além de grande exportador do produto, também é responsável pela maior parte das vendas de um dos mais importantes componentes dos insumos, o gás natural.

Devido a todas as sanções impostas por causa da guerra com a Ucrânia, os preços dispararam. O Brasil, um dos países mais importantes do agronegócio, é o quarto maior mercado consumidor de fertilizantes, importando cerca de 85% do que utiliza, sendo a Rússia a fonte de 23% desse estoque.

Devido a este problema global, é importante enfatizar o significado e o papel desempenhado pelos biológicos. Por meio deles, os produtores podem aumentar a produtividade da terra de forma sustentável para a agricultura e obter maior autonomia na cadeia de suprimentos global, reduzindo incertezas em relação aos seus custos.

Tese de investimento

A tese dos biológicos é quente e as startups que desenvolvem insumos biológicos para lavouras arrecadaram pouco mais de US$ 892 milhões em 2021, mais que dobrando o investimento arrecadado no ano anterior.

Segundo dados disponibilizados na plataforma Tracxn, a categoria como um todo cresceu cerca de 12%, atingindo um investimento total nos últimos 24 meses de US$ 2,27 bilhões.

A Pivot Bio, fornecedora de produtos de nutrição de culturas à base de micróbios, por exemplo, levantou US$ 430 milhões em uma rodada da Série D. São mais de mil e duzentas empresas do setor, sendo dois unicórnios (Indigo e Pivot Bio) e 12 que já passaram por rodadas da Série C.

É possível perceber um grande potencial de crescimento do setor na América Latina, principalmente no Brasil, que está construindo uma das maiores e melhores indústrias de biológicos do planeta, com cases de sucesso como Biotrop e Vittia, que recentemente realizou IPO na bolsa de valores brasileira, arrecadando um valor próximo a US$ 76 milhões.

 

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