Pasto bom é chave para performance e sustentabilidade

Pastagem pode elevar conversão, reduzir ciclo de animais e, ainda, fixar GEE

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Boa genética, terminação em confinamento e bons pastos podem reduzir emissões em mais de 40% por quilo de carcaça. (foto - CNA)

Boa genética, terminação em confinamento e bons pastos podem reduzir emissões em mais de 40% por quilo de carcaça. (foto - CNA)

05deAgostode2022ás12:31

Bons pastos são chave tanto para a performance do gado, quanto para a sustentabilidade.

Bovinos e outros animais aproveitam fibras sem valor para a nutrição humana, porém, produzem metano, importante gás de efeito estufa (GEE).

E o balanço de emissões tem relação direta com a qualidade do pasto, tanto pelo volume de gases entéricos dos animais, quanto pela fixação de CO2 no solo.

Segundo o médico veterinário Davi Bungenstab, pesquisador da área na Embrapa Pecuária de Corte, a qualidade do pasto é o principal trabalho a ser feito no aspecto da sustentabilidade na pecuária de corte.

“Na boa pastagem, existe uma menor emissão de GEE e haverá seu sequestro, além vários benefícios”, diz.

Neste aspecto, está a própria queda das emissões de metano com a redução do ciclo dos animais graças a uma melhor alimentação.

Questões do nitrogênio

Nas pesquisas para apurar as emissões em condições nacionais, o veterinário conta de estudo que integrou sobre o óxido nitroso, outro importante GEE, neste caso oriundo do nitrogênio das fezes e urina dos animais.

Ele ficou perto de 75% menor do que o usualmente descrito em condições internacionais padrão. “Em gado de corte deve ser menos por sua condição extensiva, pois o resultado foi em gado de leite”, explica. Para ser considerado, o dado necessita antes de aceitação internacional.

Sobre os recentes protestos ocorridos na Holanda, onde um dos temas centrais era a restrição ao uso do nitrogênio, comenta que isso não deve ocorrer no Brasil. “Nosso problema é falta de nitrogênio no solo e sua aplicação é pequena pelo alto custo ”, diz.

Lideranças atentas, produtor nem tanto

Bungenstab avalia que entidades e lideranças pecuárias têm consciência da importância dos GEE, o que acredita talvez ainda não tenha chegado ao produtor em geral.

Ele indica que no contexto também existe um mercado internacional que deseja uma carne com menos emissões.

O pesquisador garante que a ciência demonstrou que é possível ter produção pecuária com redução dos GEE, neutralidade ou até emissões negativas. A própria Embrapa elaborou dois documentos sobre isso Carne Baixo Carbono e Carne Carbono Neutro.

Segundo o especialista, cálculos mostram que num sistema extensivo a pasto, sem adubação ou suplementação, um animal abatido representa 12kg de CO2eq (GEE em equivalente a dióxido de carbono) por quilo de carcaça.

Já um produto de boa genética, criado em bons pastos e terminado em confinamento gera 7kg de CO2eq/kg de carcaça. Isso significa uma redução de 41,7% nas emissões.

Efeito imediato

Com a recuperação da pastagem e seu correto manejo, a queda nas emissões é mais rápida do que o melhoramento genético no rebanho de corte. Contudo, melhores genéticas também podem trazer maior eficiência, informa Bungenstab.

Sobre a intensificação dos pastos que traz menor emissão, ele prefere antes focar que a solução vem da lotação adequada de acordo com a qualdiade do solo.

A integração com lavoura é outra interessante alternativa que pode levar à neutralidade ou emissões negativas, mas exigindo ai o plantio de árvores que sequestram carbono. No entanto, alerta que o pecuarista precisa na integração dispor de maquinário, mercado comprador próximo e fazer aos poucos.

Em se tratando de confinamentoBungenstab diz que a dieta deve  estar bem-balanceada e que se dê preferência a bons animais, em especial de cruzamento industrial. Também aponta que existem aditivos que reduzem o metano.

Sobre os dejetos, conta que a situação brasileira não resulta em grandes emissões.

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