Embrapa ensina como transformar carcaças em adubo orgânico
Técnica é baseada na decomposição natural de caprinos e ovinos e preço da tonelada pode chegar a R$ 250
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Decomposição completa ocorre entre 120 e 150 dias. (foto - Embrapa)
Uma técnica de decomposição natural de carcaças de caprinos e de ovinos mortos foi desenvolvida pela Embrapa para gerar adubo orgânico. O objetivo é o uso nas propriedades rurais.
Segundo a Embrapa, ela baseia-se na compostagem, que consiste em um processo biológico, onde animais mortos e restos de partos são misturados a resíduos vegetais em uma estrutura chamada composteira.
Ao fim do processo, é gerado o fertilizante natural que pode ser usado nas lavouras ou vendido, abrindo novas possibilidades de renda aos agricultores.
“Este processo traz benefícios, sobretudo por transformar um material, que teria grande potencial de poluir e contaminar o ambiente, em um produto limpo, que é o adubo orgânico”, destaca o médico-veterinário Marcílio Frota, analista da Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral-CE).
Isso por que em uma agricultura tradicional, as carcaças de caprinos e ovinos costumam ser enterradas ou mesmo abandonadas, com risco, por exemplo, de contaminar o lençol freático.
Já o produto gerado tem nutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio, o que garante bom potencial de uso para finalidades diversas, como a produção de grãos e mudas, recuperação de solos em áreas degradadas, reflorestamento ou jardinagem.
Adubo de alto valor
Segundo Marcílio, o adubo resultante da compostagem de carcaças é considerado um produto de alto valor agronômico, por suas propriedades. “A adubação com esse produto é capaz de aumentar consideravelmente o teor de matéria orgânica, melhorando propriedades no solo como a retenção de água.”
“Além disso, possui a capacidade de elevar o PH, corrigindo, em alguns casos, a acidez encontrada rotineiramente em solos brasileiros”, completa ele.
Ainda de acordo com o médico-veterinário, além de ser alternativa ambientalmente adequada, o produto traz outras vantagens, como redução de custos na propriedade.
“A grande vantagem do composto em relação aos fertilizantes minerais é o custo. Seu potencial de uso como fertilizante orgânico minimiza a aquisição de insumos e promove a autossuficiência e a sustentabilidade para a propriedade rural, como tecnologia acessível de inclusão social e produtiva ao agricultor familiar”.
Outra alternativa para os produtores rurais que usam a compostagem é a possibilidade de venda do adubo: o valor médio da tonelada do produto é de R$ 250,00, com variação de acordo com a região do país.
Regulamentação para uso
A Embrapa lembra que o biocomposto produzido pela compostagem é classificado como fertilizante orgânico de classe A, por utilizar matéria-prima de origem animal, sem componentes potencialmente tóxicos e de uso seguro na agricultura, de acordo com a Instrução Normativa Nº 25 de 23 de julho de 2009, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.