Furacão Ian causa prejuízo agrícola de até US$ 1,56 bi nos EUA
Universidade da Flórida estima que produção de citros pode ser a menor em 90 anos
Por |
Agentes locais acreditam que a produção de laranjas da Flórida será ao menos 40% menor. (foto - CitrusBR)
Avaliação preliminar do Departamento de Economia de Alimentos da Universidade da Flórida (UF/IFAS), nos Estados Unidos, calcula que os danos sofridos com a passagem do Furacão Ian pelo Estado em setembro para o setor agrícola cheguem até US$ 1,56 bilhão.
De acordo com o relatório, o setor agrícola como um todo pode ter sofrido perdas que variam de US$ 787 milhões a US$ 1,56 bilhão. Destes, estima-se que que entre US$ 147 milhões a US$ 304 milhões, seja de danos à produção de citrus.
Dos cinco grupos de commodities avaliados, apenas a categoria de hortaliças e melão teve mais perdas estimadas do que os cítricos, podendo variar de US$ 208 milhões a US$ 394 milhões.
O balanço foi emitido na semana passada e divulgado no Brasil pela CitrusBr.
Ainda segundo a avaliação preliminar, a gravidade dos danos em áreas locais dependerá do nível de queda de frutas, danos aos galhos e impactos devido a fortes chuvas e inundações.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos deve divulgar em 9 de novembro uma nova revisão para as safras, especialmente da laranja que já acumula queda histórica de produção.
Menor safra em 90 anos
Vale lembrar que a a safra 2022/23 de laranjas da Flórida, Estados Unidos, está prevista, antes do Ian, em 28 milhões de caixas de 40,8 kg, sendo 32% inferior à da temporada passada. Em outras palavras, seria a menor desde 1935/36, segundo estimativa divulgada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgada em dia 12 de outubro.
Em artigo publicado recentemente, a pesquisadora do Cepea, Fernanda Geraldini, acredita que, mesmo com novas projeções em novembro, ainda não será possível dimensionar os danos causados pelo furacão – o que deve ser verificado apenas no relatório de dezembro.
“O furacão Ian, classificado como categoria quatro, trouxe ventos de até 160 km/hora e foi um dos mais fortes a atingir o estado norte-americano. Foram relatadas quedas de frutos das árvores e inundações, condições que podem trazer danos à citricultura local, tanto no curto prazo (safra 2022/23) como no médio (temporadas seguintes), já que muitas plantas foram arrancadas.”, diz ela.
“Diante disso, agentes locais acreditam que a produção do estado deve ser pelo menos 40% menor que a estimativa do USDA. Ou seja, isso significa que a safra somaria entre 16 e 17 milhões de caixas de 40,8 kg.”