Fundo global doa US$ 5,3 milhões para agroflorestas de cacau do Brasil
Verba será destinada ao projeto “Conservação da Mata Atlântica através do manejo sustentável das paisagens agroflorestais do cacau” do Mapa e da FAO
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Estimativa é que o projeto beneficie 3.000 agricultores familiares do sul da Bahia. (foto - Mapa)
O Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environment Facility, em inglês) aprovou a doação de US$ 5,3 milhões para financiamento do projeto Conservação da Mata Atlântica através do manejo sustentável das paisagens agroflorestais do cacau.
A iniciativa, elaborada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em parceria com Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), visa reduzir e reverter as tendências de degradação e perda de biodiversidade da cultura.
A notícia foi dada durante o Simpósio sobre Sistemas Agroflorestais com Cacaueiro – SSAF-Cacau, em Ilhéus (BA), nesta quinta-feira (dia 1º).
“A região cacaueira da Bahia até hoje não se recuperou da introdução da vassoura-de-bruxa. Esse projeto pioneiro tem capacidade de acelerar a transformação e a modernização da cacauicultura”, destaca o diretor da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira ( Ceplac), Waldeck Araújo.
Segundo ele, os investimentos na preservação e a conservação ambiental propiciarão assistência técnica gerencial e a construção de um novo modelo de desenvolvimento para a região usando as tecnologias disponíveis, como materiais resistentes a pragas, técnicas de manejo e fermentação.
Araújo acredita ainda ferramentas como o uso da inteligência territorial irão “instrumentalizar os gestores públicos e os técnicos com informações e análises contextualizadas para processos de gestão” e que isso ajudará na reconexão de fragmentos florestais na Mata Atlântica, bioma conservado nessa região graças à cacauicultura.
Segundo o diretor, parte dos recursos será destinada para apoiar iniciativas de remuneração por serviços ambientais. “Todas essas ações são formas pelas quais a sociedade, em suas mais variadas representações, poderá trabalhar em conjunto com o Estado nas diversas esferas para o desenvolvimento regional sustentável”, completa.
Agricultura familiar
A estimativa é que o projeto beneficie 3.000 agricultores familiares do sul da Bahia que produzem cacau sob o sistema cabruca, que é um modo de cultivo agroflorestal onde árvores nativas fazem sombra aos cacaueiros.
Segundo dados de estudos recentes, 74% dos 93.000 produtores que cultivam cacau em quase 600 mil hectares no Brasil pertencem à categoria da agricultura familiar.
O representante da FAO no Brasil, Rafael Zavala, enfatizou que alinhar a conservação da biodiversidade com paisagens produtivas é uma das abordagens mais eficazes em prol da manutenção dos serviços ecossistêmicos e desenvolvimento social das populações rurais.
“A FAO e o GEF, em conjunto com a Ceplac e parceiros, irão fortalecer uma prática histórica no sul da Bahia, da produção de cacau no sistema cabruca associada à conservação da Mata Atlântica”, disse Zavala.